O Lixo Extraordinário – Grupo 6


Lixo Extraordinário foi um documentário dirigido por Lucy Walker, sobre a vida de quem trabalha num imenso aterro sanitário, o maior do Brasil, Jardim Gramacho. Lá, o artista plástico Vik Muniz, idealizador do projeto, decide trabalhar com os catadores, de forma a retratar suas dificuldades. Entretanto, o projeto vai além do esperado, e Vik consegue trazer à tona os desesperos, os sonhos e mostrar a forma digna, apesar de restrita, que vivem.

Retrato de Suelen, catadora, e seus filhos.

Durante os dois anos de filmagem, alguns catadores se destacaram e, entre eles, está Tião (Sebastião Carlos dos Santos), presidente da Associação dos Catadores do Jardim Gramacho (ACAMJG). Tião conta que quando começaram a montar a associação, em 2004, poucos acreditavam que traria benefícios ou resultados para os catadores, mas é importante ressaltar que, apesar dessas pessoas terem um limite em suas cidadanias, tiveram a iniciativa, mais que justa e necessária, de se organizarem socialmente em torno de um interesse comum, como abordaremos mais a frente.

Outra catadora que se destaca, não por ter mais importância, mas por participar mais ativamente das gravações, é a Isis. Ela traz consigo uma história de vida, que infelizmente não tem um desenvolvimento feliz, e também deixa claro que não gosta de ser uma catadora. É evidente que não é uma opção de vida estar ali, para nenhum deles, mas, apesar da dificuldade que encontram para sobreviverem, tentam fazer de seus dias, horas alegres, o que é, para muitos de nós, impossível de se imaginar.

Vai surgindo então, no documentário, a relação que Vik constrói com esses catadores e a deles com esse poder da arte. É realmente extraordinário o que fazem com o lixo, tornando coisas consideradas inúteis em obras valiosíssimas (faz-se jus ao nome do documentário). E essa nova perspectiva de vida gera um impasse para os produtores, afinal, eles estão construindo um novo olhar sobre as próprias vidas, como iriam lidar com a realidade após o fim do projeto? Já podemos adiantar que estão todos bem.

Agora, tendo conhecimento desses pontos e considerando a vida ao seu redor, reflita: essas pessoas tiveram/têm chances de crescer, não só financeiramente, mas como ser humano? Como a Isis conta, será que é fácil entrar em um ônibus e todos afastarem-se de você por causa do cheiro do seu trabalho, literalmente? Não conseguimos imaginar situações como essas, quem dirá sentir o que sentem.

Sebastião, presidente da ACAMJG.

Conceitualmente falando, cidadania é um conjunto de direitos sociais (educação, saúde, moradia…), civis (liberdade, igualdade), e políticos (votar e serem votados, organizarem-se socialmente). Indague-se: quantos direitos esses catadores possuem PLENAMENTE? Temos certeza que não são muitos, ou melhor, temos certeza que são poucos. Daí, explicamos que, como dito anteriormente, a atitude de criarem uma associação, mesmo sem saber onde isso os levaria, foi essencialmente uma realização como cidadãos. Apesar de não terem formação, não terem condições de trabalho adequadas, além de tantas outras coisas das quais se podem imaginar, é magnífico ver que a história se constrói, e essas pessoas organizam-se e lutam por esses direitos. É claro, seria muito mais bonito que todos já nascessem com acesso às oportunidades, mas, infelizmente, não é esse o mundo em que vivemos.

Vik Muniz, artista plástico

Finalizando, gostaríamos de abrir uma nova reflexão. A vida de muitas dessas pessoas mudou, para melhor, após o grande trabalho realizado por Vik. A associação conquistou melhorias, ampliou o acesso dos catadores à informação e, aos poucos, conquistam seus papeis de cidadãos. Contudo, esse projeto foi realizado somente no Jardim Gramacho. Como é a vida de outros catadores ao redor do Brasil, e do mundo, que não terão oportunidades semelhantes a esta?

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Publicado em 06/04/2011, em Sociologia e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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