A História das Coisas


“A História das Coisas” é um documentário, em forma de curta-metragem, sobre o trajeto de todos os bens materiais consumidos nos EUA, desde à extração de bens, até o descarte, explicitando realidades que muitas vezes passam despercebidas por nosso olhos, nas quais resultam em consequências seríssimas, como por exemplo, a toxicidade presente nos produtos e despejada no meio ambiente pelas indústrias, a grande destruição da fauna do exterior pela super-extração, etc.

O vídeo em geral retrata o estilo de vida americano como infeliz e exageradamente consumista, e aponta o governo americano como culpado. Isso engloba toda a “rota dos produtos”, que inclui extração, produção, distribuição, consumo e descarte.

Rota dos produtos, parte 1: EXTRAÇÃO

O vídeo A História das Coisas faz uma forte crítica ao sistema de materiais (CAPITALISMO). Um dos pontos criticados em relação a este sistema é a extração exaurida. Nas últimas três décadas, um terço dos recursos naturais do planeta foi consumido. Com uma destruição tão rápida, diminuímos a capacidade do planeta de abrigar pessoas. Os EUA, por exemplo, possuem apenas 4% das suas florestas originais, 40% de suas águas não são mais potáveis e, mesmo sendo somente 5% da população mundial, consomem 30% dos recursos mundiais e produzem 30% do lixo mundial. Se todos consumissem ao nível dos EUA, necessitar-se-ia de 3 a 5 planetas quando se tem apenas UM. A solução que os EUA arrumaram foi pegar os recursos naturais de outras regiões; a América do Sul, por exemplo. 75% dos viveiros de peixe do mundo já foram esgotados, exauridos. 80% das florestas originais do mundo desapareceram. Apenas no Amazonas, são perdidas 2000 árvores por minuto, equivalendo a sete campos de futebol por minuto. E as pessoas que vivem nesse lugar, nós, se não formos grandes possuidores ou grandes consumidores, somos totalmente desvalorizados.

Rota dos produtos, parte 2: PRODUÇÃO

Os meios de produção fazem parte do sistema linear capitalista. E para que tal processo exista, materiais extraídos da natureza são transformados em produtos, que em muitos dos casos são tóxicos. Atualmente cerca de 100.000 químicos sintéticos são usados no comércio, sendo que só uma parte deles foi testada para avaliar as consequências à saúde e em nenhum foi avaliado os efeitos sinergísticos. Outro problema é a contaminação do meio ambiente, já que a produção demanda uma grande quantidade de energia, muitas vezes não renovável. Um exemplo de produto prejudicial ao ser humano e ao meio ambiente são os RCBs (Retardantes de Chama Bromato), que, apesar de resistentes ao fogo, são super tóxicos, principalmente para o cérebro devido às neurotoxinas.

Os principais afetados são aqueles que trabalham em fábricas. Mulheres em idade reprodutiva entram em contato com produtos que podem muito bem prejudicar a saúde de seu futuro filho. E como se não bastasse o leite materno tem apresentado péssimas concentrações  de toxinas.  Sobretudo, ninguém escolhe trabalhar em uma fábrica, cerca de 200.000 pessoas estão se mudando do meio ambiente para viver em favelas e trabalhar por um prato de comida, não importando o quão tóxico seja. O mais preocupante é a permissão, concedida pelos EUA, para despejar 2 toneladas de produtos químicos tóxicos pela indústria em um ano. Mas o  pior não é o desperdício de materiais, mas sim  o desperdício de seres humanos.

Rota dos produtos, parte 3: DISTRIBUIÇÃO

Depois de destruir as florestas e transformar os recursos naturais e o “lixo tóxico” em produtos, o que fazer? Vender! E o mais rápido possível. Existe a necessidade de manter o preço baixo, as compras em alta, o inventário se movendo. Os vendedores não recebem muito e, sempre que conseguem, os empregadores não dão seguros de saúde. A questão da distribuição dá-se em cima da externalização dos custos, mas o que é isso? As coisas que compramos não tem, realmente, o custo que “deveriam”, no curta, o exemplo dado por Annie Leonard é o de um “rádio” que custava 4,99 dólares e tinha suas partes produzidas em todo o mundo. O metal produzido na África do Sul, o petróleo provavelmente iraquiano, plástico vindo da China, e talvez tenha sido produzido em alguma maquiladora mexicana. Como 4,99 dólares seriam capazes de cobrir todos esses gastos de mão-de-obra e transporte e ainda gerar lucro?A resposta está na exploração, na exploração dos recursos naturais dos países subdesenvolvidos, na produção que gera inúmeros resíduos tóxicos para baratear o produto e, principalmente, na exploração do trabalho, inclusive o infantil, onde as pessoas vendem sua força de trabalho, seja na extração de minério, como as crianças em parte Congo, ou nas maquiladoras mexicanas já citadas anteriormente, ou na própria loja, quando um vendedor “abre mão” de seu seguro de saúde. Tudo isso diminui o custo final do produto e não é citado em meios legais de registro e contabilidade, isso é a externalização, o verdadeiro custo está descontado de toda essa exploração.

Rota dos produtos, parte 4: CONSUMO

A etapa do consumo é a força motora do sistema. Se não existisse o consumo, todo o sistema não teria um propósito e é justamente por isso que o governo e as grandes corporações fazem de tudo para mantê-lo num crescimento contínuo. O principal exemplo que pode ser citado é os Estados Unidos, que se tornou a principal nação consumidora do mundo e conseqüentemente fez com que surgisse o maior de todos os problemas em relação à sociedade, na qual a importância das pessoas passou a ser medida através da quantidade de coisas que ela consome. Atualmente um cidadão americano consome duas vezes mais do que 50 anos atrás. A explicação para isso tudo está na história, quando logo após a Segunda Guerra Mundial houve a necessidade de melhorar a economia. Assim, surgiu a obsolescência planejada, que de forma mais coloquial quer dizer “criado para ir para o lixo”. O que acontece é que as coisas são feitas de forma que se tornam inúteis muito facilmente, mas o consumidor volta a comprar; e a obsolescência percebida, na qual as pessoas acabam se desfazendo de materiais ou produtos que ainda são úteis, em busca daquilo que existe de mais recente no mercado. As grandes corporações alcançam seus objetivos em relação ao consumo através da propaganda e da mídia, que tem como função mostrar, segundo aquilo que é considerado ideal, como todos deveriam ser, e o que é necessário comprar para que o ideal seja atingido. Dessa forma, as pessoas acabam só percebendo e dando valor para o consumo e não se importam com o que aconteceu antes dos produtos chegarem às prateleiras das lojas.

Rota dos produtos, parte 5: DESCARTE

Após comprar exageradamente, o que torna o sistema eficiente, os cidadão se deparam com as casas cheias e… não cabe tudo nelas. Na verdade, de acordo com o documentário, a parte do descarte é a mais fácil de ser entendendida, afinal, cada um carrega seu próprio lixo. Há 30 anos os EUA não produzem tanto lixo como atualmente, sendo cada cidadão responsável por 2 quilos a cada dia, ou seja, 99% das coisas que são fabricadas são descartadas e apenas 1% é utilizada por mais de 6 meses.

Como visto, o consumo leva ao descarte, ou seja, ao lixo. Este segue caminhos para sua destruição: aterros (jogados diretamente) ou queima (incineração antes de serem jogados nos aterros). Porém esses fins para o lixo causam muitos problemas ambientais : poluição do ar, da água e da terra, além de ocasionar mudanças climáticas. Dentre os dois caminhos para o lixo a incineração é a pior, pois produz tóxicos, já presentes na fabricação, além de tóxicos novos, por exemplo, a dioxina que é muito ruim para o homem. Algumas empresas não criam aterros ou incineradores nos EUA, portanto o que fazem é exportar os resíduos. Apesar de algumas pessoas abordarem reciclagem como um descarte, esta não funcionaria sozinha, mas ainda sim é uma alternativa para reduzir o lixo, mesmo que minimamente.

E agora?

Percebe-se que esse sistema está em crise, e que não teria como ser consertado. A solução proposta pela apresentadora do documentário  é transformar esse sistema linear num sistema cíclico, assim, a matéria prima seria reaproveitada e não haveria tanto lixo. Segundo ela, a prova de que é possível mudar esse sistema é que o sistema atual também foi feito pelo homem, então por que não seria possível fazer outro?

E você? Está nessa?

Assita ao vídeo em: http://www.youtube.com/watch?v=3c88_Z0FF4k

Todos os grupos participaram da elaboração desse texto. ©

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Publicado em 19/05/2011, em História, Sociologia. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. alessandra

    Galera, demais. Apaixonei. PArabéns!!!

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