Val Marchiori: a perua da vez pede passagem (Veja São Paulo)


Val Marchiori do ponto de vista sociológico representa uma pessoa que apesar de ter se tornado rica, enfrenta dificuldades em ser aceita pela elite econômica. Para isso ela cria seu próprio mundo. Leia o texto e reflita.

Gastar 75.000 reais em uma tarde, fazer festas regadas a Veuve Clicquot, bancar apresentações num programa de TV. A receita para se tornar uma socialite famosa

(Foto: Mario Rodrigues) Val Marchiori: “Empresa boa e mulher bonita não quebram. Trocam de proprietário"

Alguém que mora num apartamento avaliado em 14 milhões de reais, anda pela cidade em um carrão blindado, usa um avião para as viagens de fim de semana e pode gastar 75.000 reais numa tarde de compras não deveria ter muitos motivos para se aborrecer. Mas a vida é dura e, de tempos em tempos, acontece algo para acabar com o alto-astral da empresária e apresentadora Val Marchiori.

 Ela salta das tamancas (da Christian Louboutin, naturalmente), por exemplo, quando lembram que seu nome de batismo é Valdirene. Segunda dos quatro filhos de um casal de agricultores, nasceu em Arapongas, no norte do Paraná, e sempre sonhou em morar e brilhar em São Paulo, para onde se mudou definitivamente em 2009.

Outra coisa que a tira do sério: ser recebida numa loja chique com uma tacinha de prosecco ou espumante nacional. “Hello, acho uma pobreza quando não me servem champanhe”, avisa, iniciando a frase com o bordão que solta a cada cinco minutos. O tempo, no entanto, realmente fecha quando querem esnobá-la. Dia desses, durante uma visita à Dior da Rua Oscar Freire, soube que Rosangela Lyra, diretora da marca no Brasil, não a considera uma cliente com o perfil da grife. “São estilos completamente diferentes”, disse Rosangela.

Val acusou o golpe, mas não deixou barato. “Estranho ter vergonha de mim, pois me convida para jantar e manda peças exclusivas para eu experimentar em casa”, rebateu, elaborando, em seguida, uma teoria para tentar justificar o tratamento que às vezes lhe dão. “Hello, a verdade é que muitas ficam com inveja porque sou mais linda, mais magra, mais rica e mais jovem do que elas.”

(Foto: Mário Rodrigues) No apartamento dos Jardins: “Muitas ficam com inveja porque sou mais linda, mais magra, mais rica e mais jovem do que elas"

 Dentro da crescente classe das emergentes, a personagem em questão inaugurou uma nova categoria: a de aspirante assumida a socialite. Desde o momento em que acorda até o fim do dia, faz tudo calculado para aparecer. Exagerando nas caras e bocas em frente à câmera, grava entrevistas no Brasil e no exterior para o quadro semanal Ícones de Luxo, do “Programa Amaury Jr.”, na RedeTV!.

Detalhe: nessas ocasiões, banca do próprio bolso as despesas de deslocamento e estada. Recusar um convite para aparecer numa festa, mesmo que seja um lançamento de produto ou um evento beneficente? Nem pensar. Como não poderia deixar de ser, também faz parte de seus hábitos esbanjar nos melhores restaurantes e lojas.

Num dia típico, depois de despachar os filhos para a escola e malhar o corpo na academia de seu prédio (a forma física foi turbinada com uma lipo na barriga e 260 mililitros de silicone nos seios), ela escolhe uma boa mesa da região dos Jardins para almoçar. Em seguida, seu Porsche Cayenne blindado — ter carros à prova de tiro é um dos vários cuidados que toma — serpenteia pelos quarteirões da vizinhança, iniciando uma tarde de compras.

Duas semanas atrás, chegou de óculos escuros vermelhos, balançando seu cabelo loiro cuidadosamente ondulado. Cumprimentou os seguranças pelo nome e recebeu das vendedoras uma taça de Veuve Clicquot. No balcão da joalheria Jack Vartanian, dentro da NK Store, provou uma corrente aqui, uma pulseira ali, mas seus olhos ficaram vidrados mesmo em um brinco de pedras vermelhas adornadas com brilhantes. Valor: 49.000 reais. Quando outra vendedora lhe mostrou um anel de 1.700 reais da designer Ana Khouri, Val fez cara de indignada e rejeitou a oferta: “Hello, é tão baratinho que eu iria encontrar muita gente usando”.

Desde cedo, essa perua assumida de 36 anos já demonstrava apetite pelo sucesso. Diz que, ainda menor de idade, começou a ganhar uns trocados vendendo no esquema porta a porta os produtos da Avon. Na adolescência, virou modelo e passou um tempo na Itália. Depois de quatro anos, voltou ao Brasil para montar em sociedade com um de seus três irmãos a transportadora Valmar, em Londrina, perto de sua cidade natal.

Dinheiro definitivamente deixou de ser um problema quando, em 2005, passou a viver com seu conterrâneo Evaldo Ulinski, dono do frigorífico Big Frango, que faturou no ano passado 1,2 bilhão de reais. A uma pessoa de sua confiança, o empresário disse recentemente: “A Val me custa 200.000 reais por mês”. O casal tem filhos gêmeos de 5 anos: Victor e Eike (sim, o nome foi uma homenagem ao bilionário Eike Batista). “Não somos casados no papel, pois o Evaldo ainda está em processo de divórcio com a ex”, diz ela, que contabiliza hoje em seu patrimônio uma criação de gado nelore e vários imóveis em São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

+ O dia a dia de Val

Sem preocupações financeiras, Val deu o próximo passo em seu projeto de ascensão: investir pesado na imagem. Para começar, contratou o cabeleireiro e maquiador Duda Martins, ex-funcionário de um dos salões mais badalados da cidade, o MG Hair Design, de Marco Antonio de Biaggi. Ela desembolsa 8.000 reais por mês para ter um expert em beleza 24 horas por dia à sua disposição.

Val nunca, jamais, em hipótese alguma, lava o próprio cabelo. Duda também a acompanha em viagens, como quando vai — a bordo de seu avião King Air 350, com oito lugares, avaliado em 5 milhões de dólares — curtir o fim de semana longe de São Paulo. Além de não perder uma festa, ela gosta de promover seus próprios regabofes no apartamento de 850 metros quadrados.

Em 2009, contratou a promoter Alicinha Cavalcanti para organizar seu aniversário de 35 anos. Os 150 convidados, parte deles desconhecida da anfitriã, beberam 130 garrafas de Veuve Clicquot Rosé e quarenta do caro vinho tinto italiano Brunello di Montalcino safra 2004. A noitada, que teve ainda um show do cantor Paulo Ricardo, custou 150.000 reais. Mas para ela valeu cada centavo.

+ Saiba qual é a receita de Val para brilhar

Isso porque o apresentador Amaury Jr., presente ao evento, fez o convite para que a personificação da perua moderna passasse a integrar seu programa. A ideia era que ela abordasse o mercado de luxo. Ou seja, falasse de coisas do dia a dia de quem toma champanhe em taça banhada a ouro importada da Noruega e tem coleção de mais de 100 bolsas de grife — só Louis Vuitton são mais de trinta modelos. “A Val é exótica, linda e simpática”, afirma o colunista social eletrônico da RedeTV!. “Além disso, viaja bastante e é deslumbrada com o mundo do glamour.”

Sem se importar com salário, ela topou na hora. A estreia ocorreu há onze meses. Já viajou para Itália, Estados Unidos e Canadá, sempre voando de primeira classe e se hospedando em hotéis cinco-estrelas. Tudo pago com seu próprio dinheiro. “Amo ser apresentadora”, conta. Graças a dois patrocinadores, afirma recuperar hoje parte do investimento, faturando 20.000 reais por mês. “Consigo pagar algumas despesas e comprar um ou outro vestidinho.” Recentemente, foi sondada para fazer parte de um reality show sobre o cotidiano de mulheres ricas, o Real Housewives, atração que a produtora argentina Cuatro Cabezas, a mesma do CQC, pretende levar ao ar em breve numa parceria com a Band.

(…)

A filosofia de uma emergente

“Empresa boa e mulher bonita não quebram. Trocam de proprietário”
“Pobre é uma desgraça: só anda de carro”
“Nascer na miséria é imposição, permanecer é opção”
“É um absurdo nas lojas Dior e Versace servirem prosecco. Um desrespeito com quem só bebe champanhe”
“Hello, jamais saio de casa sem estar com algum brilhante. Seria o mesmo que estar pelada”

(PARA continuar a  LER A MATÉRIA NA INTEGRA, clique aqui) 

Fonte: http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2217/val-marchiori-perfil

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Publicado em 20/05/2011, em Notícias Gerais, Sociologia. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. evaldo ulinski

    Revista Veja SP publica carta de Evaldo Ulinski negando envolvimento e desmentindo Val Marchiori .

  2. ela é muito leza ela so fala hello hello me da uma raiva

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