Alcântara Machado



Uma das figuras mais expressivas do movimento modernista no Brasil, Antônio Castilho de Alcântara Machado de Oliveira era de família ilustre de advogados e escritores. Formou-se bacharel em direito mas preferiu a carreira jornalística e ainda novo era um dos redatores destacados em São Paulo.

Começou na literatura primeiramente ao escrever críticas de peças de teatro para o jornal. Quando viajou à Europa, se inspirou para escrever crônicas e reportagens que viriam a dar origem ao seu primeiro livro,“Pathé-Baby “publicado em 1926, o qual recebeu um prefácio de Oswald de Andrade. É interessante notar que, apesar de demonstrar traços marcadamente modernistas já desde essa primeira obra, composta de períodos curtos e rápidos de prosa urbana, o autor não havia participado da Semana de Arte Moderna. Apresentava em seus textos vivacidade da linguagem e inovava o estilo da época através da fiel reprodução dos tipos e costumes paulistas, bem como pela sátira com que tratava esses personagens ridículos.

Além de escrever “Laranja da China“ em 1928, “Mana Maria“ um romance inacabado, “Cavaquinho e saxofone“ em 1940 e “Contos Avulsos“ em1961, ele escreve também “Brás, Bexiga e Barra Funda“ a sua obra mais conhecida, uma coletânea de contos. Publicada em 1928, trata do quotidiano dos imigrantes italianos e dos ítalo-descendentes na cidade de São Paulo, expressando-se a narrativa numa linguagem livre, próxima da coloquial. Mostrava as impressões duma São Paulo imersa na experiência da imigração, que então vinha modificando os trejeitos da cidade.

– Dois de contos dessa obra bem marcantes foram:

 

Lisetta

Narra uma viagem de bonde de Lisetta, uma menina pobre, filha de Dona Mariana que se apaixona por um urso de pelúcia de uma menina rica que viaja no mesmo bonde.

O urso era felpudo, amarelo, engraçadinho, olhos de vidro, custara ciquenta mil-réis na Casa São Nicolau e estava no colo da menina de pulseira de ouro que percebeu o enlevo e a inveja de Lisetta.

Lisetta sentia um desejo louco de tocá-lo  e jeitosamente procurou alcançá-lo, a menina rica percebeu, encarou a coitada com raiva, fez uma careta e apertou contra o peito o bichinho.

Lisetta pede para pegar um pouquinho. E a mãe dela se desculpa com a mãe da menina rica que nem respondeu. Dona Mariana escarlate de vergonha, murmura no ouvido da filha que In casa la paghera! E pespegou um beliscão daqueles. Lisetta perdeu toda a compostura, chorou, soluçou e falando sempre, um escândalo logo no banco da frente testemunhado pelo bonde inteiro.

O urso se vai nos braços da dona má que ao entrar no palecete estilo português, voltou-se e agitou o bichinho no ar para Lisetta ver. O bonde deu um solavanco e Lisetta como compensação quis sentar-se no banco e levou outro beliscão porque Dona Mariana só havia pago uma passagem.

A entrada de Lisetta em casa marcou a história da família Garbone,  apanhou desde a porta  que não acabava mais e o resto da gurizada reunida na sala de jantar.

Quando Ugo chegou da oficina reclamou com a mãe e Lisetta já não aguentava mais, e ele trouxe para a menina um pequerrucho, do tamanho de um passarinho, mais urso. Os irmãos chegaram-se para admirar, Pascoalino quis pegá-lo e ela correu para o quarto e trancou-se por dentro.

 Gaetaninho

Conta a história do menino Gaetaninho que ficava banzando na Rua do Oriente até quase ser derrubado pelo Ford sem vê-lo  e ser posto para dentro de casa pelo grito e chinelo materno.

A ralé  da Rua do Oriente quando muito andava de bonde e de automóvel ou carro só em dia de enterro ou de casamento, por isso o sonho de Gaetaninho era de difícil realização. Naquela tarde o Beppino atravessara a cidade carro, atrás da tia Peronetta que se mudava para o Araçá, o que não era vantagem para Gaetaninho.

Ele enfiou a cabeça no travesseiro e sonhou em como andaria de carro, e no sonho seria no enterro da tia Filomena, ele iria na boléia ao lado do cocheiro, com roupa marinheira, gorro branco escrito: Encouraçado São Paulo e ligas pretas segurando as meias. Muita gente nas calçadas, mas ele ainda não estava satisfeito queria ir carregando o chicote que o coheiro não deixava.

Quando ia gritar pelo chicote acordou desapontado com o cantar da tia Filomena que teve um ataque de nervos quando soube do sonho de agouro do menino, que com remorso substitui no sonho a tia pelo acendedor da Companhia de Gás, Seu Rubino que uma vez lhe dera um cocre.

Gaetaninho sai para brincar na calçada com o Beppino que diz que no dia seguinte irá ao enterro do pai de Afonso e o outro não irá porque o pai um dia bateu na cara dele. Continuam brincando e Gaetaninho corre atrás da bola e um bonde o pegou e o matou e às dezesseis horas do dia seguinte saiu um enterro da Rua do Oriente e Gaetaninho não ia na boléia de nenhum carro, ia dentro de um caixão fechado e quem ia na boléia era o Beppino.

Fonte: http://pt.shvoong.com/books/biography/1659141-ant%C3%B4nio-alc%C3%A2ntara-machado-vida-obra/#ixzz1POAZ7kSK http://pt.shvoong.com/books/novel-novella/1990306-gaetaninho-bras-bexiga-barra-funda/#ixzz1POP5G1aL

http://pt.shvoong.com/books/1990973-lisetta-bras-bexiga-barra-funda/#ixzz1POL7tNaZ

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Publicado em 16/06/2011, em Português. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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