Da consciência branca à consciência negra


O pensamento racista, evolucionista e etnocentrista têm marcado o mundo desde o fim do século XIX. Porém assume aspectos diferentes em diversas regiões do mundo. E para entender como o preconceito ainda é um assunto tão presente pode-se ver acontecimentos que ocorrem na Europa e nos Estados Unidos.

Na Europa, o pensamento racista surge com a ideologia capitalista de que para ser uma potência imperialista era necessário ter os 3M’s (matéria-prima, mercado consumidor e mão de obra em abundância e a baixos custos) que eram encontrados na África. E a desculpa utilizada era que o europeu, branco, burguês, liberal e industrial era uma raça superior e que deveria cumprir sua missão civilizatória, levando a civilização aos africanos, selvagens e inferiores. A dominação de outros povos deu-se graças ao conceito científico de Darwinismo Social que gerava um grande sentimento racista na sociedade europeia.

Já nos EUA, o pensamento racista e preconceituoso se iniciou com o Destino Manifesto, uma predestinação divina de que o homem, branco e puritano; nascia para levar a liberdade para os povos da América. Com essa ideologia, os americanos atingiram seus objetivos, mas assim como os países da Europa, os EUA precisavam se tornar uma potência imperialista e industrial. Surge assim um problema, pois a América estava dividida entre ser industrial (Estados do Norte) e ser agroexportadora (Estados do Sul). Isso motivou a Guerra de Secessão, que resultou na vitória dos Estados do Norte e como consequência os Estados do Sul perderam os seus direitos políticos, e foram proibidos de praticar a escravidão. E como se já não bastasse, o governo nomeou interventores negros e nortistas para governar os Estados do Sul. Essa Restauração Radical provocou o ódio racial surgindo a Ku Klux Klan.

Tendo em vista esses conceitos históricos da Europa e dos Estados Unidos, pode-se entender fatos que acontecem hoje.

Uma reportagem do site Mediapart afirmou que em novembro de 2010, Blanquart propôs secretamente um limite de 30% na proporção de jogadores negros e de origem árabe que poderiam usar alguns centros de treinamento, inclusive a renomada academia de futebol Clairefontaine. Blanc teria concordado com a proposta, afirmando que seria uma forma de promover “a nossa cultura, a nossa história”. O técnico francês defendeu-se das acusações dizendo que suas declarações foram retiradas do contexto original. Blanc e Blanquart estavam discutindo junto com o técnico da França sub-21, Erick Mombaerts, e da seleção sub-20, Francis Smerecki, formas de evitar que jogadores que treinam por anos dentro do sistema francês de futebol saiam para defender outras seleções no futuro. “Não há nada que indique que Laurent Blanc estava apoiando práticas discriminatórias”, disse a ministra francesa dos Esportes a jornalistas. “Laurent Blanc estava participando deste tipo de reunião pela primeira vez. Ele não tinha nenhum projeto ou opinião fixa. Não há nada que sugira que Laurent Blanc apóie orientações discriminatórias.” Ela disse que a discussão ocorrida em novembro foi “desastrada e desnecessária”. A ideia de cotas foi apenas sugerida, e nunca correu o risco de ser implementada. Por isso, segundo a

ministra, não há motivos para se dar início a um processo legal. Apesar das desculpas é possível perceber que o sentimento racista ainda existe na Europa.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Segurança Interna emitiu recentemente um relatório arrepiante dizendo que os americanos podem esperar um aumento no “extremismo de direita” de nacionalistas brancos, milícias e grupos como o Ku Klux Klan. O Klan, é claro, teve uma mão em alguns dos atos mais infames da nação do terror racial e assassinatos.

O grupo racista americano Ku Klux Klan (KKK) também tem sua ramificação na Itália através de um site pelo qual aceita inscrições de quem quiser defender sua ideologia, além de incitar ataques contra negros, homossexuais e judeus, segundo o jornal La Repubblica em sua versão digital. O jornal alertou sobre o agravamento do fenômeno racista, além de citar que, no site, o “reino italiano” chama “qualquer italiano que queira defender a origem branca, porque o homem branco nunca foi livre para exercitar seu próprio poder em suas próprias terras e nações”. O mais impressionante é que o site faz referência aos “irmãos” americanos e fala de ataques a “negros, imigrantes, homossexuais e judeus” para dar vida a um Estado “branco e cristão”. Essa ideologia é tão presente mesmo sabendo que “A Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia garante ao cidadão europeu, em seu artigo 21º (item 1), a proibição da discriminação por motivo de raça, cor ou origem étnica, entre outras formas de discriminação ali previstas.”.

“Somos fiéis aos princípios do Ku Klux Klan fundado em 1865”, dizem na seção italiana do movimento e falam de uma “missão sagrada”. Essa missão nada mais é do que a demonstração de que a influência ideológica é muito forte. O ministro do Interior italiano, Roberto Maroni, disse que usará todos os meios para bloquear “esta asquerosa palhaçada”. Já a ministra da Igualdade, Mara Carfagna, afirmou que “infelizmente esta palhaçada pode se tornar perigosa, porque nos encontramos frente a pessoas que incitam nossos cidadãos a discriminar negros, homossexuais e pessoas de orientação religiosa diferente da nossa”. Para Mara, o KKK utiliza, para isso, “sites e canais de comunicação na internet que são muito utilizados pelos mais jovens e é visível por todos, inclusive por crianças”.

Bem, o ódio racial pode ser visto tanto nos EUA quanto na Europa. Porém, o mais preocupante não é a parcela da população que age de forma extrema com o ódio racial, mas a parcela que demonstra o ódio racial de forma indireta. Um exemplo é o desemprego negro nos Estados Unidos que é o mais alto em 27 anos. O relatório de empregos de Agosto foi sombrio por muitas razões, mas talvez o mais impressionante foi o retrato que pintou da desigualdade racial no mercado de trabalho. Desemprego negro subiu para 16,7% em agosto, seu nível mais alto desde 1984, enquanto a taxa de desemprego para os brancos caiu ligeiramente para 8%, segundo o Departamento do Trabalho. O Desemprego negro foi aproximadamente o dobro dos brancos desde que o governo começou a acompanhar os números em 1972. Economistas culpam uma variedade de fatores. A força de trabalho negra é mais jovem do que a força de trabalho branca, menor número de negros obtem um diploma universitário e muitos vivem em áreas do país que foram mais duramente atingidos pela recessão – todas as coisas que poderiam levar a uma maior taxa de desemprego. Mas mesmo excluindo esses fatores, os negros ainda são atingidos com maior

desemprego. “Mesmo quando você comparar trabalhadores negros e brancos, mesma faixa etária, a mesma educação, você ainda vê lacunas muito significativas nas taxas de desemprego”, disse Algernon Austin, diretor da Raça, Etnia, e do programa de Economia do Instituto de Política Econômica. “Então, eu acho que o fato de discriminação racial no mercado de trabalho continua a desempenhar um papel”.

Cerca de 155.000 negros conseguiram empregos em agosto, mas a taxa do grupo de desemprego ainda subiu porque os empregos não foram suficientes para compensar todas as pessoas que começaram a olhar para o trabalho durante o mês. No entanto, o ganho para os brancos de 211.000 postos de trabalho foi suficiente para trazer a taxa de desemprego para baixo. Globalmente, os homens negros têm o pior, com desemprego em alta, 19,1%, em comparação com 14,5% para as mulheres negras. Desemprego negro até agora permaneceu acima de 10% por quatro anos consecutivos, e dado a lentidão econômica atual, alguns especialistas dizem que é possível prever que a taxa ficará acima de 10% por mais quatro anos.

Conclui-se por meio de fatos históricos, dados estatísticos, reportagens, leis e entrevistas, que o velho pensamento racista formado na Era dos Impérios ainda é muito presente na sociedade atual Americana e Européia. E mesmo com a miscigenação das raças, com pesquisas biológicas que destroem a existência de raças ou sub-raças humanas, o preconceito ainda impera sobre as pessoas. Alguns reconhecem as diferenças e respeitam, mas outros insistem em fazer com que só a sua cultura, só a sua raça e só a sua ideologia seja considerada a ideal. O ser humano só entenderá as diferenças de cada indivíduo se colocado no lugar dele, passando da consciência branca à consciência negra.

Grupo 03 – Números: 11, 15, 28, 33, 36 e 39.

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Publicado em 18/09/2011, em Disciplinas, História, Sociologia e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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