Preconceito contra Muçulmanos


Há 10 anos, no dia 11 de setembro de 2001, um atentado terrorista nos Estados Unidos provocou a morte de centenas de pessoas. O atentado, sob a liderança de extremistas islâmicos, criou um estereótipo de muçulmano, que se espalhou pelo mundo ocidental.

Antes de falar de como essa discriminação se evidenciou, precisamos entender como o passado contribuiu para que o preconceito se consolidasse na cabeça das pessoas. Para isso, primeiramente, iremos analisar as teorias sociais que se transformaram em pensamentos sociais e foram aplicados como política, de forma que “entraram” na cabeça das pessoas.

A base está na corrida imperialista do século XIX. As potências européias precisavam expandir suas economias (capitalistas) e, para tanto, necessitavam de mercado consumidor, mão de obra barata e matéria prima. Lançaram-se, pois, ao (neo)colonialismo, “dominando” outras [não]civilizações. Não civilizações porque, ao olhar europeu, esses povos haviam parado na linha evolutiva, ou seja, não se desenvolveram. Assim, os [civilizados]impérios utilizaram de teorias científicas emergentes, como a Teoria da Evolução das Espécies, de Darwin, e as transpuseram e aplicaram ao contexto social, dando origem ao Evolucionismo e Darwinismo Social.

Tornava-se, assim, responsabilidade do homem europeu, católico, branco e industrializado, levar a civilização a povos estagnados evolutivamente, sendo esse o “Fardo do Homem Branco”. Temos, então, a primeira manifestação clara de discriminação, nesse momento eurocêntrico, que desencadeou a formação do pensamento racista (raças da humanidade, de acordo com seu desenvolvimento).

Precisamos, ainda, entender como um homem se estabelece numa cultura, ou seja, como se formam as culturas. Simplificadamente, o ser humano se torna humano quando, a partir de sua relação com outro Homem, consegue estabelecer uma dominação sobre a natureza. Esse conjunto é responsável pela formação de conhecimento, que aplicado à uma comunidade, sintetiza-se em uma cultura. Resumidamente, o homem só se torna um ser social a partir da prática social, ou seja, a partir da vida em sociedade.

Podemos afirmar que uma das maiores conseqüências do 11 de setembro, além de ter sido o estopim de uma guerra contra o terrorismo, que demonstrou uma ação neo-imperialista objetivada pela intervenção em diversas partes do mundo, foi também o pensamento anti-islâmico estabelecido pelos próprios cidadãos americanos e pela sua política de imigração.

Na caça aos terroristas responsáveis pelas atrocidades que chocaram o mundo, os seguidores de Alá e os descendentes das nações árabes passaram a ser vistos como inimigos. Até mesmo os que não têm nada a ver com árabes ou com o islamismo, como os sikhs indianos – cuja semelhança com os muçulmanos é o turbante –, foram vistos como pessoas perigosas. Estima-se que vivam, nos EUA, seis milhões de muçulmanos, sendo dois terços deles árabes.

No ano de 2000, foram notificados 28 casos de crime de ódio contra muçulmanos. Em 2001, 481 casos, sendo que grande parte contra pessoas que usavam um turbante. Ou seja, uma dimensão simbólica, representada pela proclamação da fé através dos costumes de vestuário, tornou-se motivo para agredir uma pessoa. Gente inocente pagou o preço dos outros seis mil inocentes que morreram nos ataques terroristas. E, assim, uma febre contagiosa, como uma praga atual, espalhou-se pelo mundo.

Uma notícia veiculou o seguinte: “Mas a paranóia dos ‘seres árabes ameaçadores’ não acontece só nos EUA. No Reino Unido, segundo o presidente da Comissão Islâmica de Direitos Humanos, Masoud Shadjareh, ‘houve um aumento considerável de agressões em bairros londrinos onde há maior concentração de muçulmanos, como Wembley e Londres Ocidental’. Na Espanha, seis argelinos foram detidos por suspeita de ligações com o terrorismo. Mas o pior foram as declarações do premiê italiano, Silvio Berlusconi: ‘Devemos estar conscientes da superioridade da nossa civilização, que garantiu o bem-estar, os direitos humanos e a tolerância política e religiosa, o que não é uma tradição entre os islâmicos’ e que ‘a civilização islâmica está estagnada há mais de 1.400 anos’.”

Certamente, Silvio Berlusconi foi infeliz em sua frase. Ao afirmar a superioridade da civilização, o premiê retomou os princípios evolucionistas, o conceito de darwinismo social que já comentamos. Evidencia-se, pois, um pensamento que se alastrou no mundo ocidental capitalista: “Somos superiores aos muçulmanos” ou “todo muçulmano é terrorista”.
O tratamento a muçulmanos em aeroportos, por exemplo, também mostrava a posição dos EUA em receber tal povo em seu território. Na verdade, foi extremamente, sem hipérboles, dificultada a entrada desse povo no país (além de muitos outros, é claro).

Passado um ano do atentado, pesquisas mostraram que “57% dos muçulmanos em todo o país sofreram algum tipo de preconceito relacionado aos atentados de 11 de setembro.” Além disso, 66% dos entrevistados deram nota igual ou inferior a três, numa escala de 1 a 10, à administração Bush desde o 11 de setembro.

Em pesquisa realizada pelo Instituto Gallup, em 2009, quatro em cada dez americanos admitem ter pelo menos um pouco de preconceito contra mulçumanos. O dobro, quando comparado a outras religiões. Desde então, a proclamação da fé islâmica tornou-se mais complicada, em cidades como Nova York. O preconceito recebeu até “nome especial”, é a islamofobia, que por sinal, não deve ser visto como uma fobia, mas sim como um ato preconceituoso.

Além disso, durante esses 10 anos, um caso polêmico dividiu opiniões nos EUA. Vejamos o trecho de uma notícia:

“Um dos episódios mais polêmicos foi o projeto para erguer um centro cultural islâmico, com uma mesquita, em um prédio, perto do local onde ficavam as torres gêmeas. O objetivo era criar um símbolo de tolerância religiosa.

O projeto recebeu apoio de políticos como o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. No local houve inúmeras manifestações. Muitos declararam apoio, pessoas que defendem a liberdade de religião no país e o fim do preconceito contra os mulçumanos. ‘Chega de medo racista, muçulmanos são bem vindos aqui’, gritavam alguns manifestantes.

Mas também teve muita gente contra: ‘Nunca vamos esquecer’, repetiam os opositores. Uma das maiores críticas ao projeto é Pamela Geller, autora do livro ‘Pare a islamização da América’: ‘A idéia de ter uma mesquita próxima aos locais dos ataques é uma provocação, é uma ofensa, é claramente um símbolo, os mulçumanos sempre construíram mesquitas nas terras que conquistaram. Eu acredito que a construção dessa mesquita gigante vai ser um segundo ataque à América’, afirma.”  – Jornal Nacional, em 08/09/2010.

Propositalmente, guardamos para o final uma explicação sobre a formação dos Estados Unidos como potência. A expansão americana, conhecida como Marcha para Oeste, foi marcada pelo Destino Manifesto. O curioso no Destino Manifesto é que se assemelha ao darwinismo social quanto ao objetivo, “levar a civilização”. Mas a ideologia americana ia mais além e não tinha cunho científico. Na verdade, o Destino Manifesto é o destino do homem branco, americano, puritano (calvinista). Chegamos ao ponto, os Estados Unidos estavam predestinados, por Deus, a tornarem-se uma potência, a levar civilização aos povos da América (consolidado na Doutrina do Big Stick).

Assim sendo, os americanos tem em sua essência esse sentimento de superioridade etnocêntrica e sua formação como potência está intimamente ligada à sua religião. Mesmo que inconscientemente, isso já é um pré-fator que leva a discriminação cultural – religiosa.

GRUPO 06 – Números: 03, 05, 10, 14, 18 e 31

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Publicado em 18/09/2011, em Disciplinas, História, Sociologia e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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