Racismo/Xenofobia na indústria futebolística europeia


O futebol é o esporte mais conhecido de todo o mundo. Milhares de torcedores fazem de tudo pelos seus times, sejam eles dentro do próprio país, ou mais importante, a própria seleção nacional.

Em abril de 2011, uma notícia chocou a comunidade do futebol, bem como a sociedade em geral. O então técnico da Seleção Francesa de Futebol, Laurent Blanc e o diretor técnico, François Blaquart fizeram uma declaração para seus colegas de trabalho propondo secretamente um limite de 30% na proporção de jogadores negros e de origem

árabe que poderiam usar alguns centros de treinamento, inclusive a renomada academia de futebol Claire Fontaine, idealizada em 1976 pelo então presidente da Federação Francesa de Futebol, Fernand Sastre e que é capaz de criar grandes nomes do futebol francês como Thierry Henry e Nicolas Anelka. Blanc também teria dito que as tais escolinhas davam atenção aos jogadores fortes, porém justamente os negros eram os mais fortes. O técnico da seleção sub-21 da França, Erick Mombaerts, revelou que o Olympique de Marselha e o Lyon já iniciaram a adoção das cotas. Pape Diouf, ex-presidente do Marselha, afirmou não estar surpreso. “A verdade é a seguinte: o futebol francês é a imagem da sociedade francesa, é racista.”

Essa seria uma maneira de promover a cultura e história francesa e deveria ter ficado encoberta, mas como causou grande repercussão, ambos foram julgados e considerados livreis de acusação de discriminação racial, pois além de não haver provas suficientes para incriminá-los, essa seria uma prova do crescente número de adeptos ao racismo na Europa atualmente.

O preconceito contra outras etnias sempre existiu, todavia ganhou força no século XIX com o Imperialismo das grandes potências. O então europeu, religioso, branco, capitalista e industrial fez uso da Teoria da Evolução das Espécies para ter bases científicas sobre a dominação que iriam exercer sobre os povos da África e da Ásia. Essa teoria aplicada na linha social ficou conhecida como darwinismo social, na qual a “raça” branca seria a mais elevada de todas e que as outras funcionavam como estágios inferiores até atingir esse padrão. Assim, se utilizando desse conceito e no fato que tinham que levar a civilização a outros povos, estes constituíram a Missão Civilizatória, que na verdade não propunha levar coisas boas para esses continentes e sim tirar africanos e asiáticos de sua própria cultura e meio de produção e inseri-los na atmosfera capitalista, servindo de mão de obra barata, mercado consumidor e utilizando os recursos existentes em seus territórios. Para melhor entender o que se passou, é importante saber que o homem constrói sua vida em duas dimensões: o da prática econômica (que é a parte da vida humana na qual o homem produz e reproduz coisas para se manter vivo fisicamente e biologicamente) e a prática simbólica (que é a parte da vida na qual o homem produz linguagem, leis, crenças, valores e normas, fantasias, sonhos e paixões. Essas duas dimensões são indissociáveis e é a partir dessa junção que o homem produz cultura. A cultura produzida é altamente diversificada, mas os grandes teóricos da época e até mesmo aqueles depois do século XIX só analisavam o prática econômica, que era capitalista, levando ao pensamento do etnocentrismo e consideravam qualquer aspecto cultural de outros povos inferiores, isso quando o consideravam de fato. Assim, o preconceito contra esses povos cresceu absurdamente e houve o início da formação de sociedades intolerantes, conflitantes e violentas. Muitas pessoas se perguntam porque os povos da África e da Ásia se deixaram dominar pelos europeus e suas teorias evolucionistas, mas especificamente etnocêntricas,a verdade é que a situação foi extremamente complicada, como explica Karl Marx, dizendo que os  europeus utilizavam armas muito fortes, como os aparelhos ideológicos e repressivos, tais como modos de persuasão e de coação respectivamente, sendo assim, os explorados realmente chegavam a pensar que sua exploração era digna e válida.

Com o passar dos anos, novas teorias científicas foram criando sua marca, como a paleontologia e a genética evolutiva e conseguiram provar que aquele pensamento do século XIX estava errado e que o conceito de raça, na verdade era somente uma ideologia.  Porém, não foi e não será a ciência que vai destruir o racismo, já que suas bases se mantêm na medida em que o racismo reforça o sistema capitalista. Infelizmente, nos dias de hoje o racismo ainda persiste, e a França evidentemente é um dos países que mais o pratica, juntamente com o xenofobismo.

Era de se esperar que o racismo diminuísse e não aumentasse no país, visto que na Copa de 1998 o país se uniu e cunhou um termo que ficaria marcado na história da sociedade francesa: no lugar de azul, branco e vermelho da sua bandeira, a França seria “país do branco, negro e marrom”, em referência à composição multiétnica de sua população. A França foi campeã da Copa do Mundo em 1998, inclusive vencendo o Brasil na final, com vários jogadores nascidos fora do país ou descendentes de estrangeiros. Patrick Viera é nascido no Senegal, Marcel Desailly em Gana, Lilliam Thuram em Guadalupe, Christiam Karembeu na Nova Caledônia.

Outros, como Anelka (Moçambique), Evra (Senegal), Malouda (Guiana Francesa), Thierry Henry (descendente das Pequenas Antilhas) também são “estrangeiros”. A contradição fica ainda maior quando o maior ídolo do futebol francês, Zinedine Zidane é descendente de imigrantes da Argélia, país do litoral africano que em 1830 foi invadido pelos franceses, com a intenção de dominar o seu litoral. Em 1857 ocorreu a dominação definitiva dos franceses no território argelino. A luta pela independência se intensificou principalmente após a II Guerra Mundial, com o levante popular de 1945, porém eles foram reprimidos com muita violência por parte dos franceses.

A FLN (Frente de Libertação Nacional) foi organizada em 1954, e deu início a uma luta armada contra a dominação da França. Somente em 1962 os franceses reconheceram a independência da Argélia. Cerca de 1 milhão de franceses deixaram o país em direção à França.

É importante ressaltar que essas ondas de racismo e xenofobismo no futebol não são exclusivas da França e diversos outros países como Inglaterra, Itália e Rússia reprimem durante jogadores negros ou latino americanos, tais como Roberto Carlos, ex jogador da Seleção Brasileira, que passou por dois incidentes na Rússia, os quais torcedores do próprio time jogaram no gramado cascas de banana, dando a entender que o jogador seria um macaco, ou seja, um ser subdesenvolvido. O mesmo aconteceu com Neymar, jogador do Santos Futebol Clube, em Londres, em março deste ano, na partida entre as Seleções do Brasil e da Escócia, onde alguém que estava na torcida arremessou uma casca de banana no campo logo após um gol do craque.

Assim, fica evidente que o mundo de hoje não é tão diferente do mundo do século XIX, pois a indústria futebolística, que funciona nas bases do capitalismo, continua a ditar as regras contra os jogadores das mais variadas partes do mundo e mesmo que os atletas ganhem uma quantidade enorme de dinheiro, não passam de animais que as elites consideram inferiores e que funcionam de peça de um jogo de xadrez para sua diversão. A questão é, se eles fossem tão superiores porque utilizar jogadores de outras descendências ou nacionalidades em detrimento dos puros e evoluídos?

Grupo 5 (Números: 04, 13, 25, 29, 37 e 42)

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Publicado em 18/09/2011, em Disciplinas, História, Sociologia e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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