Skinhead – Quando a imprensa falou deles, a maioria das vezes e geralmente em casos de homicídio, crimes, violência, ódio e fascismo. Mas de onde surgiram e quem realmente são?


O conceito de espécie estudado e comprovado por Darwin acabou tendo uma aplicação a sociedade mostrando que se o homem possui apenas uma espécie essa não pode se tornar diferente nas demais culturas. O que não pode ser aplicado na espécie humana, pois diferente dos animais nós conseguimos transformar o ambiente em nosso favor e criar uma diverdidade cultura enorme. Essa questão biológica também implica no conceito de que só o mais adaptado, ágil e mais forte irá sobreviver criando um competitividade bem comum no mundo hoje. Essa teoria do Darwinismo Social apesar de ser do século XIX no mundo hoje temos acontecimentos violentos, ideológicos e políticos justificados por essa teoria afim de mostrar princípios humanitários.

De acordo com a teoria evolucionista a humanidade era composta por diversas espécies em diferentes etapas do desenvolvimento evolutivo e assim casa sociedade seria inserida em uma forma contínua que ia da mias atrasada a mais evoluída. Assim criaram a idéia de sociedades primitivas ou complexas aplicando características consideradas típicas dessas sociedades.

Essas são algumas teorias do século XIX que foram usadas para explicar ignorância à variação cultural humana. Entre vários tipos de intolerância cultural, hoje, temos alguns grupos que praticam essas teorias. Entres eles são os Skinheads

O movimento Skinhead é derivado de uma subcultura britânica denominada Mod (de modernismo). Mods eram, inicialmente, jovens ingleses, especialmente de classe média, muito ligados à moda moderna, musica negra (jazz e R&B) e às drogas. Conforme o movimento se expandia entre as outras classes sociais, os Mods ampliaram seus gostos musicais, amparando tb o Soul, o SKA e o Bluebeat. Eles se reuniam em pubs para mostrar se exibir e dançar. Eram rivais dos Rockers, outra subcultura, mas ligada à jaquetas de couro e rock ‘n roll. Ambas entravam em conflitos frequentemente.

Em meio a década de 60, com o movimento psciodélico, os Mods entraram em declínio, e os Hard Mods (Mods mais violentos), com menos ênfase nas tendências modistas, rasparam seus cabelos e iniciaram o movimento Skinhead.

Os Skinheads, em meados de 69, eram formados por brancos e negros, que frequentavam clubes de soul e reaggae. Se tornaram conhecidos ao promoverem muitos conflitos em estádios (chamado hooliganismo) e participarem de agressões contra imigrantes paquistaneses e asiáticos. Mesmo assim, muitas gangues anti-asiáticas, detestavam o neonazismo e repudiavam o racismo contra negros.

No final da década de 70, um segunda geração de skin heads desencadeou uma nova movimentação, ligada ao punk rock. A partir dos anos 80, a pressão da mídia em cima do preconceito racial e o surgimento de engajamento político dentro do movimento resultou na fragmentação em diversos submovimentos rivais. Entre eles estão os direitistas e esquedistas, racistas e não-racistas, xenófobos e neonazistas e defensores da raça branca.

No Brasil, o movimento Skin Head é patriota, ultra-nacionalista, conservador e facista. Promove ações violentas contra homossexuais, esquerdistas (punks), negros, prostitutas e outras minorias. As principais gangues e a maioria dos indivíduos são anti-racistas uma vez que defendem a tese de que a identidade e raça original da população brasileira é a miscigenação de todas as raças, mas existem carecas indiferentes ou simpatizantes, em especial na região Sul e Sudeste do país, onde há um movimento de independência de caráter muitas vezes branco-separatista.

Juntamente com os skinheads, alguns punks começaram a se identificar com o National Front, partido político britânico de orientação de extrema direita e xenófobo. E esse foi o exato momento em que nasceu o movimento skinhead nacional-socialista (NS), como é conhecido. Aqueles percursores do movimento skin-neonazi prentenderam se apossar do legado de “Honra e Fidelidade”, das Hitler-Jugend e o se uniram com a cultura juvenil dos começos dos anos 70. Assim, os skinhead deixam de ser um movimento musical para se tornarem um movimento juvenil nacional-socialista.

Margaret Thatcher, primeira ministra britânica, de frente com o avalanche de atos de vandalismo protagonizados pelos neonazis, declarou que ia crucificar todos os skinheads, a imagem de um skinhead pregado na cruz passou a ser uma das tatuagens mais solicitadas em Londres, e mais tarde se transformaria em um símbolo universal encontrado estampado em camisetas, chaveiros, pôsteres, e tatuagens de vários skins espalhados pelo mundo. Esse símbolo fascinou vários adolescentes por ser um elemento blasfemos e trangessor dos bons costumes e dos símbolos mais sacrossantos dos sistema. Mas, por outro lados, sua aparência buscava potencializar essa imagem de dureza e violência, evoluindo até chegar a construir um uniforme autêntico. Assim sua estética nos anos 80 evoluiu para um aspecto paramilitar: jaqueta de aviados de bombardeiros ou Harrington, calças de combate e botas escuras Doc Martens, de bico de aço com cordões brancos (que simbolizam a superioridade do branco sobre o negro.) Também se mostram suas característica abundantes tatuagens por todo o corpo (rostos de Hitler ou Rudolf Hess, runas, cruzes, gamadas, suásticas, etc). E claro, a cabeça raspada.

Durante os anos 80 a imprensa começa a atacar os skinheads por sua atitude agressiva e referir-se a sua música Oi! como incentivadora da violência. Devido a isso, algumas bandas formam RAR “Rock Against Racism”(Rock Contra o Racismo) para demonstrar à opinião pública que nem todos os cabeças raspadas eram nazi ou xenófobos. Essa nova ideologia do movimento skinhead acabaria se transformando em SHARP “Skinhead Against the Racism Prejudice” (Cabeças Raspadas Contra os Preconceitos Raciais). Ou, chamado de red-skins ou skins comunistas. Assim o movimento skin foi se ampliando e dando origem a várias fragmentações, as mais conhecidas são:

  • Skins – gay ou Homoskins: cabeças raspadas homossexuais, se diferenciam dos demais ao usar cadarços rosados ao invés do brancos nos coturnos;
  • Skingirls ou Chelseas: noivas dos skinheads, que acabaram se convertendo em movimento com identidade própria;
  • WP – Skinheads: racialistas ou racistas seguidores do White Power e de As 14 palavras de David Lane: “Devemos assegurar a existência do nosso povo e um futuro para as crianças brancas.”
  • SxE – Skinheas: Straight Edge Skinheads ou puristas do culto ao natural, além das drogas repudiam o álcool, o tabaco e o consumo de carne. Usam cadarço verde para se destacar dos outros.
  • Skins-Hooligans: antepõem sua paixão pelo futebol à componente política ou musical do movimento skin.

Atualmente é comum os meios de comunicação e muitas pessoas associarem a palavra skinhead às agressões fascistas e grupos neonazistas, mas vale ressaltar que tradicionalmente os verdadeiros skins têm estado sempre à margem dessas atitudes condenáveis de agressões contra o próximo. Portanto, ao ouvir a expressão skinhead ou ao ver um simpatizante dessa cultura, não é bom rotulá-lo como a mídia faz, primeiramente devemos saber se aquele skin pertence à cultura originária na década de 60 ou aos grupos nascidos na fragmentação do movimento na década de 80.

Entre tantos grupos fragmentados temos diferentes ideologias. O WP – Skinheads, um dos mais conhecidos, implica na forma de pensamento evolucionista e do darwinismo social, defendendo a segurança da raça branca para que não ocorra a miscigenação, pois esta implicará no fim da raça branca, baseados na teoria de David Lane que era escritor, nacionalista e defensor da supremacia branca estadunidense. Assim podemos afirmar que esse grupo tem uma tendência de se afirmar como superior melhor e tem como privilégio acabarem com os pensamentos considerados inferiores por eles.

No Brasil os skinhead formaram-se os Carecas e WP skinhead. Em 1985, se realizou o primeiro recital Oi! que terminou com várias mortes e dezenas de feridos e 120 detidos. Esse recital ficou conhecido como Dezembro Negro. A partir daí o movimento neonazi se espalhou no Brasil. Só em São Paulo há cerca de mil skinheads. As principais organizações sãos Carecas do ABC, Carecas do Brail (RJ) e WP skinheads. Aqui o movimento skinhead se dividiu entre skins separatistas e integralistas (Carecas). A parte separatista se deve ao fato de que no norte e nordeste do país vive a maioria da população negra e indígena. Mas, apesar de se dizerem NS, há muitos mestiços e alguns negros skinhead, o que se torna contraditório. Já foi identificado na grande São Paulo, cerca de 25 gangues que juntas reúnem 250 integrantes. Só na capital ocorrem cerca de 130 inquéritos por crime de ordem. No Brasil os maiores estados que concentram o maior numero de skinheads são o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais.

Eles seguem um rígido Código de Conduta. A prisão é colocada como algo inevitável e há orientações de como agir nesse caso: não confesse nada, mesmo sob pressão e só responda a sua idade, nome e endereço quando interrogados.

Mas alguns grupos aceitam a idéia de miscigenação no Brasil, crendo que a nossa identidade original é a miscigenação. Além disso o que é surpreendente é que nesse grupo existem fragmentações homossexuais que muitas vezes sofrem preconceito por esses Skinheads. Uma entrevista de um menino, homossexual que quis ser um Skinhead nos mostrou que existem grupos pacíficos que promovem passeatas, movimentos a favor de direitos iguais.

“Com 16 anos, Danilo se interessou pela cultura dos skinheads, de suspensórios, coturnos, tatuagens e cabeças raspadas. Se ele não fosse gay, entrar para essa tribo seria fácil. Para ele skinhead era um cara que gostava de ouvir ska, tomar cerveja e jogar futebol com os amigos. Mas naquela época as notícias sobre skinheads já envolviam violência e preconceito.

Hoje com 29 anos, ele ajudou a criar pela internet uma Ação Antifascista, na qual a maioria dos integrantes são heterossexuais e defendem a luta contra a homofobia. O grupo, criado há dois anos, já participou de marcha contra a homofilia, de marchas contra o aumento do ônibus, a favor da legalização da maconha e estiveram na Parada Gay.  “Somos contra qualquer tipo de preconceito e lutamos pelas liberdades.” (Folha.com – cotidiano. Reportagem de CRISTINA MORENO DE CASTRO de São Paulo – SP)

Com a idéia da evolução temos junto a ela a idéia etnocentrista usadas para fins políticos, econômicos e de dominação no século XIX, dando uma forma de pensamento que não aceita nada que seja “diferente” e sociedades baseadas na intolerância, na exclusão, no conflito e na violência, o que realmente acontece hoje. Tudo que é considerado diferente da nossa cultura se torna algo ignorante que muitas vezes se desencadeia em conflitos.

Os skinhead se contradizem tendo qualquer tipo de preconceito com demais grupos e culturas, pois também são um grupo fechado que não aceita serem rotulados como apenas quem anda de coturnos e alguns de cabelos raspados, apresentam uma ideologia, muitas vezes intolerantes, mas por isso deveriam respeitar as demais ideologias ou formas de viver.

Conclusão

Apesar de estarmos no século XXI alguns pensamentos e ideologias do século XIX deixaram suas raízes no mundo atual, como as teorias do darwinismo social e da evolução que foram apresentadas como uma justificativas políticas e de dominação de outros povos. Depois de tanto tempo essas teorias tiveram sua implicação hoje, mostrando a existência de movimentos de preconceitos.

Até no Brasil que é um país cheio de “cores” e vários tipos diferentes de pessoas, onde isso parece ser aceitável, existem pessoas que não aceitam isso e acabam discriminando certas regiões, como os skinheads separatistas que vêem o norte e o nordeste do país como uma região miscigenada com negros e índios, o que se torna totalmente contraditório, pois até os skinheads apresentam neles negros e pessoas miscigenadas.

O mundo ainda hoje, como no século XIX não aceita a idéia de miscigenar, para eles o que importa é ressaltar a segurança de uma única raça e não deixar esta ter um fim. Apesar de hoje em dia terem sido comprovadas as teorias de que não existe raça única e que desde o começo da história houve miscigenação e diferentes cores de pele, a idéia de que ainda existe uma raça superior não foi totalmente banida.

Pior do que não aceitar a idéia de que a raça não é única é aceitar a intolerância com culturas diferentes, sendo que é impossível um povo muito grande ter uma única cultura, ou pior, julgar tais culturas evoluídas ou não.

A partir disto vemos que ainda existe o preconceito que emergiu no século XIX e afetou a nossa sociedade. Grupos como skinheads que muitas vezes não toleram outros grupos como punks, ou pessoas de regiões diferentes, nordestino e nortistas, ou pior ainda continuam racistas, são exemplos de que a biologia não conseguiu encerrar essa forma de pensamentos de raças superiores. Mesmo depois da morte de Hittler ainda tivemos alguns que continuaram seus seguidores, como os skinheads que tatuam na pele a sua imagem para mostrar sua luta.

Não vivemos em um mundo livre do evolucionismo e do darwinismo social. È certo que existem grupo pacíficos que lutam pela igualdade de direitos, até mesmo nos skinheads, mas ainda existem pessoas intolerantes.

Não somos todos iguais seria impossível igualar todos nós com tanta cultura em várias regiões do mundo. O que importa é saber respeitar as diferenças, o que ainda não vemos. A idéia de querer uma única cultura se torna totalmente surreal em um mundo que existe várias formas de pensamentos, cultos e afins.

Está na hora de todos pararem pra pensar e ver que é maravilhoso esses diferentes aspectos culturais, sem julgá-los por serem evoluídos ou não. Falta ainda hoje, em um mundo que parece esta cada vez mais globalizado, um pouco de respeito e compreensão.

Grupo 7 – nº 12, 17, 21, 22

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Publicado em 18/09/2011, em História, Sociologia e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. EMERSON PORTO FRREIRA

    Muito bom !!!! Sou ex-aluno do uni e faço história vcs conseguiram passar a ideia de uma maneira muito boa e prática, parabéns mesmo

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