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Graça Aranha


O futuro escritor e diplomata brasileiro nasceu em São Luís do Maranhão, no dia 21 de junho de 1868, batizado então como José Pereira da Graça Aranha. Sua família era próspera e culturalmente rica, o que propiciou ao autor intenso crescimento intelectual. Ele se graduou em Direito na Faculdade de Recife, onde teve como mestre ninguém menos que o filósofo, poeta, crítico e jurista brasileiro Tobias Barreto, o que o influenciaria profundamente.

Posteriormente ele assumiu os cargos de Juiz de Direito no Rio de Janeiro, ocupando depois a mesma função na cidade de Porto do Cachoeiro, no Espírito Santo, seguindo mais tarde a carreira diplomática. Neste município ele colheu os elementos necessários para criar sua obra-prima Canaã, um raro exemplar da literatura simbolista brasileira, lançado em 1902, alcançando grande sucesso na época.

Ele foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, tornando-se titular da cadeira número 38 mesmo sem ter ainda produzido nenhuma obra, pois revelara a Machado de Assis e Joaquim Nabuco alguns trechos de seu primeiro livro, Canaã. Nela ele narra como se desenrola a existência em uma colônia de imigrantes europeus no Espírito Santo. Os protagonistas, Milkau e Lentz, representam duas visões opostas sobre a nova terra em que se encontram.

Milkau acredita que alcançou a ‘terra prometida’, ou melhor, Canaã, o paraíso oferecido por Deus ao patriarca Abraão, história presente no Antigo Testamento. Já Lentz crê na superioridade da raça ariana, alimentando um racismo e um preconceito inconcebíveis, não conseguindo se adaptar ao novo contexto. Para este personagem, os mestiços que habitam o país são preguiçosos e ociosos.

Detentor de grande prestígio nos meios intelectuais, de uma seriedade ímpar, respaldada por sua atuação na criação da Academia Brasileira de Letras, que tentava conferir à literatura a unicidade então julgada necessária, não se estranha sua adesão ao Modernismo ter causado tanto impacto naquela época. De repente, o escritor conservador transforma seus pontos de vista literários e rompe com os padrões convencionais.

Suas influências provêm de origens distintas, tanto no campo filosófico quanto na esfera cultural. Por sua atuação na diplomacia ele tem a oportunidade de percorrer diversos países da Europa, nos quais se atualiza artisticamente, entrando em contato com correntes pós-simbolistas que então despertavam no continente europeu. Assim, ao retornar para o Brasil, ele traz consigo estes novos ideais e procura inseri-los na literatura brasileira.

Em 1922, Graça Aranha participa da Semana de Arte Moderna com um discurso de apresentação no Teatro Municipal de São Paulo, empreendendo uma contundente crítica às instituições que tentavam ditar as regras estéticas, decidindo o que era de bom gosto e de bom senso. Em 1924 ele não hesita em realizar na própria Academia de Letras uma palestra, intitulada ‘O Espírito Moderno’, que marca sua ruptura definitiva, na qual afirma ser este estabelecimento um equívoco, pois não consegue absorver as mudanças. O autor morre na cidade do Rio de Janeiro, no dia 26 de janeiro de 1931.

Além de Canaã, sua criação de maior valor, ele publicou: Malazarte, de 1911; A Estética da Vida, de 1921; Espírito Moderno, de 1925; Futurismo (manifesto de Marinetti e seus companheiros), de1926; A Viagem Maravilhosa, de1929; e O Manifesto dos Mundos Sociais, de 1935.
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O Quinze, de Rachel de Queiroz


Análise da obra

Publicado em 1930, o romance O Quinze, de Rachel de Queiroz, renovou a ficção regionalista. Possui cenas e episódios característicos da região, com a procissão de pedir chuva, são traços descritivos da condição do retirante. O sentido reivindicatório, entretanto não traz soluções prontas, preferindo apontar os males da região através de observação narrativa.

Em O Quinze, primeiro e mais popular romance de Rachel de Queiroz, a autora exprime intensa preocupação social, apoiada, contudo, na análise psicológica das personagens, especialmente o homem nordestino, sob pressão de forças atávicas que o impelem à aceitação fatalista do destino. Há uma tomada de posição temática da seca, do coronelismo e dos impulsos passionais, em que o psicológico se harmoniza com o social.

A obra apresenta a seca do nordeste e a fome como conseqüência, não trazendo ou tentando dar uma lição, mas como imagem da vida.

Não percebe-se uma total separação entre ricos e pobres, e esta fusão é feita através da personagem Conceição que pertence realmente aos dois mundos. Evitando assim o perigo dos romances sociais na divisão entre “bons pobres” e “maus ricos”, não condicionando inocentes ou culpados.

Estrutura da obra

O título do livro evoca a terrível seca do Ceará de 1915. A própria família de Rachel foi obrigada a fugir do Ceará: foi para o Rio de Janeiro, depois para Belém do Pará. Compõe-se de 26 capítulos, sem títulos, enumerados.

A classificação de O Quinze é, sem dúvida, de romance regionalista de temática social. Mas com uma visão que foge ao clichê tradicional. Não há, na história, a divisão batida de \”pessoas boas e pobres\” e de \”pessoas más e ricas\”. A autora registrou no papel a sua emoção, sem condicionar o romance a uma tese ou à preocupação de procurar inocentes e culpado pela desgraça de cada um ou mesmo do grupo envolvido na história.

A história é recheada de amarguras. Bastaria a saga da família de Chico Bento para marcar o romance com as cores negras da desgraça. A morte está por toda parte. Está no calvário da família de retirantes, está em cada parada da caminhada fatigante, está no Campo de Concentração. Morte de gente e de bichos.

A história de amor entre Vicente e Conceição poderia ser o lado bom e humano da história. Não é. A falta de comunicação entre os dois, o desnível cultural que os separa constituem ingredientes amargos para um desfecho infeliz. É como se a seca, responsável por tantos infortúnios, fosse causadora de mais um: a impossibilidade de ser feliz para quem tem consciência da miséria.

Romance de profundidade psicológica. A análise exterior dos personagens existe, mas sem relevo especial dentro do livro. A autora vai soltando uma característica aqui, outra além, sem interromper a narrativa para minúcias. O lado introspectivo, psicológico é uma constante em toda a narrativa. Ao mesmo tempo em que o narrador informa as ações dos personagens, introduz interrogações e dúvidas que teriam passado por sua cabeça, por seu espírito.

Tempo

A autora situa a história do romance no Ceará de 1915. O fato histórico importante da época era a própria seca, obrigando os filhos da terra, principalmente do sertão, a migrarem para o Amazonas ou para São Paulo, à procura de vida melhor. Não há avanços nem recuos. A história é contada em linha reta, valorizando o presente, o cotidiano das pessoas. O passado é evocado raramente, muito mais por Conceição. A passagem do tempo dentro do romance é marcada de maneira tradicional, obedecendo à seqüência de início, meio e fim.

Cenário

O cenário do romance é o Ceará. Especificamente, a região de Quixadá, onde se situam as fazendas de Dona Inácia (avó de Conceição), do Capitão (pai de Vicente) e de Dona Maroca (patroa de Chico Bento).

Há também, em menor escala, o cenário urbano, destacando a capital, Fortaleza, para onde migram os retirantes e onde mora Conceição.

Linguagem

O sucesso do livro está atrelado à simplicidade da linguagem (a mais difícil das virtudes literárias!). Não há exibicionismo da autora no uso de palavreado erudito. Mesmo quando a dona da palavra é uma professora (Conceição), o diálogo flui espontâneo, normal, cotidiano.

Sua linguagem é natural, direta, coloquial, simples, sóbria, condicionada ao assunto e á região, própria da linguagem moderna brasileira. A estas características deve-se ao não envelhecimento da obra, pois sua matéria está isenta do peso da idade. Em O Quinze, Rachel usa o que lhe deu fama imediata: uma linguagem regionalista sem afetação, sem pretensão literária e sem vínculo obrigatório a um falar específico (modismo comum na tendência regionalista).

A sobriedade da construção, a nitidez das formas, a emoção sem grandiloqüência, a economia de adjetivos são recursos perceptíveis em todo o livro.

Foco narrativo

O Quinze é romance narrado na terceira pessoa, ou seja, o narrador é a própria autora. O narrador é onisciente. Estando fora da história, o narrador vai penetrando na intimidade dos personagens como se fosse Deus. Sabe tudo sobre eles, por dentro e por fora. Conhece-lhes os desejos e adivinha-lhes o pensamento.

Discurso livre indireto. Em vez de apresentar o personagem em sua fala própria, marcada pelas aspas e pelos travessões (discurso direto), o narrador funde-se ao personagem, dando a impressão de que os dois falam juntos. Isto faz com que o narrador penetre na vida do personagem, no seu íntimo, adivinhando-lhe os anseios e dúvidas.

Confira o resto da análise/resumo sobre a obra em: http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/o/o_quinze

Clarice Lispector – a escritora intimista


Clarice Lispector nasceu na cidade de Tchetchelnik, na Ucrânia, em 10 de dezembro de 1920. Veio para o Brasil recém-nascida, e sua família se estabeleceu em Maceió (AL) e depois no Recife (PE). Em 1935 mudou-se para o Rio de Janeiro. Após concluir o curso secundário, ingressou na Faculdade Nacional de Direito. Para manter-se, trabalhou como professora particular de português e depois como jornalista. Sua estréia na literatura se deu com o romance Perto do Coração Selvagem, de 1944. Casou-se, em 1943, com o diplomata Maury Gurgel Valente, seu ex-colega de faculdade. O casal viveu fora do país, entre a Europa e os Estados Unidos, até 1959. Nesse ano Clarice se separou do marido e voltou a morar no Rio com os filhos, Pedro e Paulo. Nos livros A Maçã no Escuro (1961), A Paixão Segundo G.H. (1964), Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres(1969) e A Hora da Estrela (1977) encontra-se seu estilo mais marcante, como o uso da metáfora insólita e uma narrativa intimista e psicológica. Morreu no Rio de Janeiro, em 9 de dezembro de 1977, um dia antes de completar 57 anos.

Clarice Lispector

Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/literatura/materia_418428.shtml

Vinicius de Moraes


  “Nasceu a 19 de outubro de 1913, no bairro da Gavéa, Rio de Janeiro, e passou parte de sua infância na Ilha do Governador. Escreveu seu primeiro poema aos 7 anos. Fez o curso de Direito no Rio e o de Literatura Inglesa em Oxford.

  Interessado em cinema desde estudante, foi crítico e censor cinematográfico. Ingressou na cerreira diplomática por concurso em 1943, tendo servido em Los Angeles, Paris (duas vezes) e Montevidéu. Foi várias vezes delegado de nosso país nos festivais internacionais de cinema de Cannes, Berlim, Locarno, Veneza e Punta del Este e, em 1966, membro do Júri Internacional de Cannes. Aos 19 anos publicou seu primeiro livro de versos, Caminho para a Distância, e aos 22 Forma e Exegese, que recebeu o Prêmio Felipe d’Oliveira de 1935. No ano seguinte saiu Ariana, a Mulher, que é o apogeu da primeira fase de sua poética, impregnada de sentido místico. Começa então a usar uma sintaxe mais popular, e sua lírica se carrega de sensualismo a partir de Cinco Elegias (composta em 1938) e, mais nitidamente, de Poemas, Sonetos e Baladas (1948), enriquecendo-se depois com temas de sentido social.

  A constante de sua poesia é o lirismo, que ele levou para a música popular, alcançando êxito internacional como verdadeiro papa da bossa-nova, e para o cinema, com o roteiro de ‘Garota de Ipanema’. Antes escreveu um drama, Orfeu da Conceição (1953), montado para teatro em 1956 e transposto para o cinema por Marcel Camus em 1959, tendo o filme no mesmo ano merecido a Palme d’Or no Festival de Cannes e o Oscar da Academia de Hollywood.

  Faleceu no Rio de Janeiro em 8 de julho de 1980.”

Orelha do livro Antologia Poética de Vinicius de Moraes, 20.ª edição (1981)

Alcântara Machado



Uma das figuras mais expressivas do movimento modernista no Brasil, Antônio Castilho de Alcântara Machado de Oliveira era de família ilustre de advogados e escritores. Formou-se bacharel em direito mas preferiu a carreira jornalística e ainda novo era um dos redatores destacados em São Paulo.

Começou na literatura primeiramente ao escrever críticas de peças de teatro para o jornal. Quando viajou à Europa, se inspirou para escrever crônicas e reportagens que viriam a dar origem ao seu primeiro livro,“Pathé-Baby “publicado em 1926, o qual recebeu um prefácio de Oswald de Andrade. É interessante notar que, apesar de demonstrar traços marcadamente modernistas já desde essa primeira obra, composta de períodos curtos e rápidos de prosa urbana, o autor não havia participado da Semana de Arte Moderna. Apresentava em seus textos vivacidade da linguagem e inovava o estilo da época através da fiel reprodução dos tipos e costumes paulistas, bem como pela sátira com que tratava esses personagens ridículos.

Além de escrever “Laranja da China“ em 1928, “Mana Maria“ um romance inacabado, “Cavaquinho e saxofone“ em 1940 e “Contos Avulsos“ em1961, ele escreve também “Brás, Bexiga e Barra Funda“ a sua obra mais conhecida, uma coletânea de contos. Publicada em 1928, trata do quotidiano dos imigrantes italianos e dos ítalo-descendentes na cidade de São Paulo, expressando-se a narrativa numa linguagem livre, próxima da coloquial. Mostrava as impressões duma São Paulo imersa na experiência da imigração, que então vinha modificando os trejeitos da cidade.

– Dois de contos dessa obra bem marcantes foram:

 

Lisetta

Narra uma viagem de bonde de Lisetta, uma menina pobre, filha de Dona Mariana que se apaixona por um urso de pelúcia de uma menina rica que viaja no mesmo bonde.

O urso era felpudo, amarelo, engraçadinho, olhos de vidro, custara ciquenta mil-réis na Casa São Nicolau e estava no colo da menina de pulseira de ouro que percebeu o enlevo e a inveja de Lisetta.

Lisetta sentia um desejo louco de tocá-lo  e jeitosamente procurou alcançá-lo, a menina rica percebeu, encarou a coitada com raiva, fez uma careta e apertou contra o peito o bichinho.

Lisetta pede para pegar um pouquinho. E a mãe dela se desculpa com a mãe da menina rica que nem respondeu. Dona Mariana escarlate de vergonha, murmura no ouvido da filha que In casa la paghera! E pespegou um beliscão daqueles. Lisetta perdeu toda a compostura, chorou, soluçou e falando sempre, um escândalo logo no banco da frente testemunhado pelo bonde inteiro.

O urso se vai nos braços da dona má que ao entrar no palecete estilo português, voltou-se e agitou o bichinho no ar para Lisetta ver. O bonde deu um solavanco e Lisetta como compensação quis sentar-se no banco e levou outro beliscão porque Dona Mariana só havia pago uma passagem.

A entrada de Lisetta em casa marcou a história da família Garbone,  apanhou desde a porta  que não acabava mais e o resto da gurizada reunida na sala de jantar.

Quando Ugo chegou da oficina reclamou com a mãe e Lisetta já não aguentava mais, e ele trouxe para a menina um pequerrucho, do tamanho de um passarinho, mais urso. Os irmãos chegaram-se para admirar, Pascoalino quis pegá-lo e ela correu para o quarto e trancou-se por dentro.

 Gaetaninho

Conta a história do menino Gaetaninho que ficava banzando na Rua do Oriente até quase ser derrubado pelo Ford sem vê-lo  e ser posto para dentro de casa pelo grito e chinelo materno.

A ralé  da Rua do Oriente quando muito andava de bonde e de automóvel ou carro só em dia de enterro ou de casamento, por isso o sonho de Gaetaninho era de difícil realização. Naquela tarde o Beppino atravessara a cidade carro, atrás da tia Peronetta que se mudava para o Araçá, o que não era vantagem para Gaetaninho.

Ele enfiou a cabeça no travesseiro e sonhou em como andaria de carro, e no sonho seria no enterro da tia Filomena, ele iria na boléia ao lado do cocheiro, com roupa marinheira, gorro branco escrito: Encouraçado São Paulo e ligas pretas segurando as meias. Muita gente nas calçadas, mas ele ainda não estava satisfeito queria ir carregando o chicote que o coheiro não deixava.

Quando ia gritar pelo chicote acordou desapontado com o cantar da tia Filomena que teve um ataque de nervos quando soube do sonho de agouro do menino, que com remorso substitui no sonho a tia pelo acendedor da Companhia de Gás, Seu Rubino que uma vez lhe dera um cocre.

Gaetaninho sai para brincar na calçada com o Beppino que diz que no dia seguinte irá ao enterro do pai de Afonso e o outro não irá porque o pai um dia bateu na cara dele. Continuam brincando e Gaetaninho corre atrás da bola e um bonde o pegou e o matou e às dezesseis horas do dia seguinte saiu um enterro da Rua do Oriente e Gaetaninho não ia na boléia de nenhum carro, ia dentro de um caixão fechado e quem ia na boléia era o Beppino.

Fonte: http://pt.shvoong.com/books/biography/1659141-ant%C3%B4nio-alc%C3%A2ntara-machado-vida-obra/#ixzz1POAZ7kSK http://pt.shvoong.com/books/novel-novella/1990306-gaetaninho-bras-bexiga-barra-funda/#ixzz1POP5G1aL

http://pt.shvoong.com/books/1990973-lisetta-bras-bexiga-barra-funda/#ixzz1POL7tNaZ

Mario de Andrade


Um dos criadores do  modernismo no Brasil, Mário Raul de Morais Andrade era de família rica e aristocrática. Formou-se no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde seria professor. Seu trabalho com a literatura começou bem cedo, em críticas escritas para jornais e revistas. Em 1917, publicou o primeiro livro, versos assinados com o pseudônimo Mário Sobral: “Há Uma Gota de Sangue em Cada Poema”.

Na musicologia, seu “Ensaio Sobre a Música Brasileira” (1928) influenciou nossos maiores compositores contemporâneos, nomes como Heitor Villa-Lobos, Francisco Mignone, Lorenzo Fernández, Camargo Guarnieri.

Como contista, os trabalhos mais significativos de Mário de Andrade acham-se em “Belazarte” e “Contos Novos”. O primeiro livro mostra a preocupação do autor em denunciar as desigualdades sociais. O segundo se constitui de textos esparsos (reunidos em publicação póstuma), mas traz os contos mais importantes, como “Peru de Natal” e “Frederico Paciência”.

– Duas de suas obras bem marcantes foram:

Macunaíma

Macunaíma nasceu na floresta brasileira e desde pequeno já mostrava como tinha um caráter indigno. Sempre com preguiça acabou formando assim o seu slogan: ”Ai! Que preguiça!” Na necessidade de uma companhia para seus passeios pela mata ia com a mulher de seu irmão Jinguê, mas no meio do mato ele se tornava um príncipe e assim ficava toda a tarde a ter relações com sua cunhada.

Depois de pouco tempo o irmão descobriu e acabou lhe cedendo a mulher, mas Macunaíma logo se envolveu com a nova índia do irmão. E esse acaba por aceitar. Então nessas transformações em príncipe ele acabou se tornando homem. E como não tinha um bom caráter continuava a enganar a todos, até mesmo ao caipora.

Um dia, na tentativa de caçar uma veada, aprisionou o seu filhote e ela como mãe voltou. Foi nesta oportunidade que Macunaíma a matou, porém quando se aproximou viu que na verdade tratava-se de sua mãe; ele tinha sido enganado pelo Anhangá.

Assim, Macunaíma, junto com seus dois irmãos, Maanape e Jinguê, seguiram pela mata indo embora. No caminho encontrou com Ci, a mãe do mato, os dois tiveram relações e ele se tornou o Imperador do mato virgem. Os dois se amavam e tiveram um filho que logo foi abençoado para trazer muitas riquezas aos pais, principalmente a Macunaíma. Entretanto o menino adoeceu e morreu; Ci, cansada e desiludida, parte para as estrelas, o que significa a morte, mas antes deu ao esposo o muiraquitã – um talismã que lhe garantiria a felicidade.

Eles seguem uma vida no mato até que o “herói sem caráter” parte pra São Paulo porque descobriu que o muiraquitã que ganhara e tinha perdido estava com o comerciante Venceslau Pietro, um colecionador de pedras. Macunaíma vai atrás do talismã e em São Paulo conhece as chamadas máquinas. Buscava por ainda mais dinheiro e se diverte enganando os irmãos e dormindo com as mulheres da cidade. Porém as coisas com Venceslau Pietro não correram bem como ele esperava.

O comerciante era na verdade o gigante Piaimã, comedor de gente. O nosso anti-herói sofre muito na tentativa de reconquistar o presente de Ci, até que finalmente procura a macumba e lá pediu a exu que desse uma bela surra na alma do gigante, pois assim ele teria de volta o muiraquitã.

Tendo o talismã de volta, os três voltaram a Amazônia, mas lá os irmãos de Macunaíma morrem e ele acaba sendo encantado pela Iara, perdendo assim a pedra que ganhou de Ci de uma vez por todas. Assim como sua companheira, mãe do mato, cansado da vida e desiludido, ele sobe ao céus, dando origem a constelação da Ursa Maior.

Amar, verbo intransitivo

Publicado em 1927, o Idílio causou impacto. Desafiou preconceitos, inovou na técnica narrativa. Sem nenhum prêambulo, Souza Costa e Elza surgem no livro. Souza Costa é o pai de uma típica família burguesa paulista do início do século. Elza, uma alemã que tinha por profissão iniciar sexualmente os jovens. Professora de amor. Souza Costa contrata os ?serviços; de Elza ,que por todo o livro é tratada por Fräulein – senhora em alemão; com o intuito de que seu filho inicie sua vida sexual de forma limpa, asséptica, sem se -sujar- com prostitutas e aproveitadoras. Ela afirma naturalmente que é uma profissional, séria, e que não gostaria de ser tomada como aventureira. Oficialmente, Fräulein seria a professora de alemão e piano da família Souza Costa.
Carlos aparece brincando com as irmã, ainda muito -menino. Fräulein se ressente por não prender a atenção de Carlos no início, ele era muito disperso, mas gradualmente vai envolvendo-o na sua sedução. Eles tinham todas as tardes aulas de alemão e cada vez mais Carlos se esforçava para aprender -o alemão?!; e aguardava ansioso as aulas.
Fräulein, em momentos de devaneios, criticava os modos dos latinos, se sentia uma raça superior, admirava e lia incessantemente os clássicos alemães, Goethe, Schiller e Wagner. Compreendia o expressionismo mas voltava à Goethe e Schiller. A esposa de Souza Costa, vendo as intimidades do filho para com ela, resolve falar com Elza e pedir para que deixem a família. Fräulein esclarece seu propósito de forma incrivelmente natural, e após uma conversa com o marido, a mãe decide que é melhor para seu filho que ela continuasse com suas lições.
O livro é permeado de digressões. Mário de Andrade freqüentemente justifica alguns pontos (antes que o critiquem), analisa fatos, alude à psicologia, à música e até mesmo à Castro Alves e Gonçalves Dias. Mário compara a vida dos extrangeiros nos trópicos, entre Fräulein e um copeiro japonês. Mostra a dicotomia de pensamento de Fräulein entre o homem-da-vida ;prático, interessado no dinheiro do serviço; simbolizado por Bismarck – responsável pela unificação da Alemanha em 1870 à ferro e fogo e Wagner, retratando o homem-do-sonho. O homem-do-sonho representa seus desejos, suas vontades, voltar a terra natal, casar e levar uma vida normal. Mas quem vence em Fräulein é o homem-da-vida, que permite que ela continue o serviço sem se questionar.
Carlos após ter tido ;a; aula mestra, começa a viciar-se em -estudar;. Certamente a didática de Fräulein era muito boa. Era tempo para Fräulein se despedir, tendo este trabalho concluído. Ela sabia que os afastamentos eram sempre seguidos de muitos protestos e gritos. Souza Costa surpreende Carlos com Fräulein ;tudo já armado; e utiliza-se deste pretexto para separá-los. Carlos reage defende Fräulein, mas mesmo ele fica aturdido diante do argumento do pai: e se ele tivesse um filho? Ainda relutante, ele deixa-a ir.
Depois algumas semanas apático, Carlos volta a viver normal. O livro acaba mas continua. Escreve Mário de Andrade – ;E o idílio de Fräulein realmente acaba aqui. O idílio dos dois. O livro está acabado. Fim. … O idílio acabou. Porém se quiserem seguir Carlos mais um poucadinho, voltemos para a avenida Higienópolis. Eu volto.
Após se recupear, Carlos avista acidentalmente Fräulein, já em um novo trabalho, e apenas saudou-a com a cabeça. A vida continua para Carlos. Fräulein ainda iria seguir com 2 ou mais trabalhos para voltar à sua terra.

Disponível em:http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u429.jhtm

http://vestibular.brasilescola.com/resumos-de-livros/macunaima.htm

http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_996.html


Vidas Secas


Vidas Secas é um romance de Graciliano Ramos, escrito entre 1937 e 1938, publicado originalmente em 1938. O livro, narrado em terceira pessoa, aborda uma família de retirantes do sertão brasileiro condicionada a sua vida subumana, diante de problemas sociais como a seca, apobreza, e a fome, e, consecutivamente, no caleidoscópio de sentimentos e emoções que essa sua condição lhe obriga a viver e a procurar meios de sobrevivência, criando, assim, uma ligação ainda muito forte com a situação social do Brasil hoje.

Durante o processo editorial do livro, Graciliano mostrou-se inteiramente cuidadoso com sua criação, frequentando a gráfica responsável pela elaboração do livro diversas vezes e examinando meticulosamente o material quando esse entrava no prelo, para ter a certeza que a revisão não interferiria em seu texto. Após sua publicação no Brasil em 1938, o livro circulou em território estrangeiro durante um bom tempo, sendo primeiramente lançado na Polônia e depois na Argentina, seguida por República Tcheca, Rússia, Itália, Portugal, França, Espanha e em outros. No Brasil, encontra-se em sua centésima sexta edição.

Por conta da consciência social que existe no conteúdo do livro, moldada através de uma estrutura dramática, o enredo tem sido analisado pelos críticos por meio da relação do homem com os meios naturais e sociais. De acordo com alguns especialistas, em Vidas SecasGraciliano contornou alguns estilos literários de sua época, o que lhe proporcionou pontos positivos no livro. Graciliano, por exemplo, foi cauteloso nas tradicionais ingerências do narrador opiniático e evitou o protesto ou o panfletarismo (que poderia usar, como outros autores da época, para criticar os aspectos sociais de seu país), o que certos críticos caracterizam como um “estilo seco, reduzido ao mínimo de palavras”.

Vidas Secas figura entre os livros mais importantes da literatura brasileira, tendo ganhado, em 1962, o prêmio da Fundação William Faulkner(EUA) como livro representativo da Literatura Brasileira Contemporânea. Também conquistou um enorme público, tendo vendido até então mais de um milhão e meio de exemplares, enquanto é leitura obrigatória em vestibulares da USP, da PUC, da UFBA e da UFPA. O cineasta Nelson Pereira dos Santos realizou uma bem-sucedida versão homônima de Vidas Secas em 1963, reforçando aspectos atuais do país.

Modernismo – Manifestos Nacionalistas


A Semana de Arte Moderna trouxe um rompimento, uma destruição das estruturas clássicas, acadêmicas, harmônicas, e por esse motivo tem caráter anárquico e destruidor. Mário de Andrade chamou a primeira fase do Modernismo de “fase da destruição”, já que é totalmente contraditória ao parnasianismo ou simbolismo das décadas anteriores. Os artistas têm em comum a busca pela origem, daí vem o nacionalismo e acarreta a volta às origens e valorização do índio brasileiro.

A primeira fase modernista também é marcada pelos manifestos nacionalistas: do Pau-Brasil, da Antropofagia, do Verde-Amarelismo e o da Escola da Anta. Podemos destacá-los da seguinte forma:

• Manifesto Pau-Brasil: escrito por Oswald de Andrade, publicado no jornal “Correio da Manhã”, em 18 de março de 1924, apresentou uma proposta de literatura vinculada à realidade brasileira e às características culturais do povo brasileiro, com a intenção de causar um sentimento nacionalista, uma retomada de consciência nacional.

• Antropofagia: publicado entre os meses de maio de 1928 e fevereiro de 1929, sob direção de Antônio de Alcântara Machado, surgiu como nova etapa do nacionalismo “Pau-Brasil” e resposta ao “Verde-Amarelismo”. Sua origem se dá a partir de uma tela feita por Tarsila do Amaral, em janeiro de 1928, batizada de Abaporu ( aba= homem e poru = que come). Assinado por Oswald de Andrade, tinha, como diz Antônio Cândido, “uma atitude brasileira de devoração ritual dos valores europeus, a fim de superar a civilização patriarcal e capitalista, com suas normas rígidas no plano social e os seus recalques impostos, no plano psicológico”

• Verde-Amarelismo: este movimento surgiu como resposta ao “nacionalismo afrancesado” do Pau-Brasil, em 1926, apresentado, principalmente, por Oswald de Andrade, liderado por Plínio Salgado. O principal objetivo era o de propor um nacionalismo puro, primitivo, sem qualquer tipo de influência.

• Anta: parte do movimento Verde-Amarelismo, representa a proposta do nacionalismo primitivo elegendo como símbolo nacional a “anta”, além de vangloriar a língua indígena “tupi”.

Através das características desses manifestos, temos por análise a identificação de duas posturas nacionalistas distintas: de um lado o nacionalismo consciente, crítico da realidade brasileira, e de outro um nacionalismo ufanista, utópico, exacerbado.

Os principais escritores da primeira fase do Modernismo são: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Antônio de Alcântara Machado.

Fonte: http://www.mundoeducacao.com.br/literatura/modernismoprimeira-fase-literaria.htm

Fernando Pessoa e seus heterônimos


“É de suma importância relembrarmos primeiramente sobre o Modernismo em Portugal antes de começarmos a falar deste grandioso poeta.

Como toda estética literária advém de um contexto histórico e político, o Modernismo português surgiu sob um clima de grande instabilidade interna, com greves sucessivas, aliado às dificuldades trazidas pela eclosão da Primeira Guerra Mundial.

O assassinato do rei Carlos X, em 1910, foi o ponto de partida para a proclamação da República. Com isso, surgiu a necessidade de defender as colônias ultramarinas, razão pela qual o povo português manifestou todo o seu saudosismo de maneira acentuada.

A lembrança das antigas glórias marítimas e a lamentação pelo desconcerto que dominou o país após o desaparecimento de Dom Sebastião serviram de berço para o nascimento de uma revista que representaria o Modernismo propriamente dito, a revista “Orpheu”, publicada em 1915.

Fazendo parte dela estavam presentes figuras artísticas importantíssimas, tais como:
Mário de Sá-Carneiro, Luís Montalvor, José de Almada-Negreiros e Fernando Pessoa.

Seu conteúdo baseava-se no questionamento dos valores estabelecidos estética e literariamente, na euforia frente às invenções oriundas da Revolução Industrial e na libertação de todas as regras e convenções referentes à produção artística da época.

Os ecos Futuristas na valorização da máquina e da velocidade aparecem já no primeiro número dos versos do poema “Ode triunfal”, de Alberto Caeiro, um dos heterônimos do poeta em estudo.

Dando enfoque principal a Fernando Pessoa, o mesmo nasceu no dia 13 de junho de 1888 na cidade de Lisboa. Levou uma vida anônima e solitária e morreu em 1935, vítima de uma cirrose hepática.

Quando falamos deste genioso artista, é necessário fazermos uma distinção entre todos os poemas que assinou com o seu verdadeiro nome – poesia ortônima e todos os outros, atribuídos a diferentes heterônimos, dentre os quais destacam-se Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis.”

Alberto Caeiro

É uma poesia aparentemente simples, mas que na verdade esconde uma imensa complexidade filosófica, a qual aborda a questão da percepção do mundo e da tendência do homem em transformar aquilo que vê em símbolos, sendo incapaz de compreender o seu verdadeiro significado.

“Ricardo Reis

O médico Ricardo Reis é o heterônimo “clássico” de Fernando Pessoa, pois observa-se em toda sua obra a influência dos clássicos gregos e latinos baseada na ideologia do “Carpe Diem”, diante da brevidade da vida e da necessidade de aproveitar o momento.”

“Álvaro de Campos

Heterônimo futurista de Fernando Pessoa, também é conhecido pela expressão de uma angústia intensa, que sucedeu seu entusiasmo com as conquistas da modernidade.
Na fase amargurada, o poeta escreveu longos poemas em que revela um grande desencanto existencial.”
Artigo completo em: http://www.brasilescola.com/literatura/fernando-pessoa-seus-heteronimos.htm

Cubismo


O Cubismo tratava as formas da natureza por meio de figuras geométricas, representando todas as partes de um objeto no mesmo plano. A representação do mundo passava a não ter nenhum compromisso com a aparência real das coisas.

Poesia Concreta "Pêndulo"
Poesia Concreta “Pêndulo”

Cubismo é um agito artístico que surgiu no século XX, nas artes plásticas, tendo como principais fundadores Pablo Picasso e Georges Braque e tendo se expandido para a literatura e a poesia pela influência de escritores como Guillaume Apollinaire, John dos Passos e Vladimir Maiakovski.

No Brasil esse movimento ficou conhecido como Poesia Concreta.

As principais características são:

  • Geometrização das formas e volumes;
  • Renúncia à perspectiva;
  • O claro-escuro perde sua função;
  • representação do volume colorido sobre superfícies planas;
  • sensação de pintura escultórica;
  • cores austeras, do branco ao negro passando pelo cinza, por um ocre apagado ou um castanho suave.

Poesia Cubista "Il Pleut" (A chuva)

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cubismo

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