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Skinhead – Quando a imprensa falou deles, a maioria das vezes e geralmente em casos de homicídio, crimes, violência, ódio e fascismo. Mas de onde surgiram e quem realmente são?


O conceito de espécie estudado e comprovado por Darwin acabou tendo uma aplicação a sociedade mostrando que se o homem possui apenas uma espécie essa não pode se tornar diferente nas demais culturas. O que não pode ser aplicado na espécie humana, pois diferente dos animais nós conseguimos transformar o ambiente em nosso favor e criar uma diverdidade cultura enorme. Essa questão biológica também implica no conceito de que só o mais adaptado, ágil e mais forte irá sobreviver criando um competitividade bem comum no mundo hoje. Essa teoria do Darwinismo Social apesar de ser do século XIX no mundo hoje temos acontecimentos violentos, ideológicos e políticos justificados por essa teoria afim de mostrar princípios humanitários.

De acordo com a teoria evolucionista a humanidade era composta por diversas espécies em diferentes etapas do desenvolvimento evolutivo e assim casa sociedade seria inserida em uma forma contínua que ia da mias atrasada a mais evoluída. Assim criaram a idéia de sociedades primitivas ou complexas aplicando características consideradas típicas dessas sociedades.

Essas são algumas teorias do século XIX que foram usadas para explicar ignorância à variação cultural humana. Entre vários tipos de intolerância cultural, hoje, temos alguns grupos que praticam essas teorias. Entres eles são os Skinheads

O movimento Skinhead é derivado de uma subcultura britânica denominada Mod (de modernismo). Mods eram, inicialmente, jovens ingleses, especialmente de classe média, muito ligados à moda moderna, musica negra (jazz e R&B) e às drogas. Conforme o movimento se expandia entre as outras classes sociais, os Mods ampliaram seus gostos musicais, amparando tb o Soul, o SKA e o Bluebeat. Eles se reuniam em pubs para mostrar se exibir e dançar. Eram rivais dos Rockers, outra subcultura, mas ligada à jaquetas de couro e rock ‘n roll. Ambas entravam em conflitos frequentemente.

Em meio a década de 60, com o movimento psciodélico, os Mods entraram em declínio, e os Hard Mods (Mods mais violentos), com menos ênfase nas tendências modistas, rasparam seus cabelos e iniciaram o movimento Skinhead.

Os Skinheads, em meados de 69, eram formados por brancos e negros, que frequentavam clubes de soul e reaggae. Se tornaram conhecidos ao promoverem muitos conflitos em estádios (chamado hooliganismo) e participarem de agressões contra imigrantes paquistaneses e asiáticos. Mesmo assim, muitas gangues anti-asiáticas, detestavam o neonazismo e repudiavam o racismo contra negros.

No final da década de 70, um segunda geração de skin heads desencadeou uma nova movimentação, ligada ao punk rock. A partir dos anos 80, a pressão da mídia em cima do preconceito racial e o surgimento de engajamento político dentro do movimento resultou na fragmentação em diversos submovimentos rivais. Entre eles estão os direitistas e esquedistas, racistas e não-racistas, xenófobos e neonazistas e defensores da raça branca.

No Brasil, o movimento Skin Head é patriota, ultra-nacionalista, conservador e facista. Promove ações violentas contra homossexuais, esquerdistas (punks), negros, prostitutas e outras minorias. As principais gangues e a maioria dos indivíduos são anti-racistas uma vez que defendem a tese de que a identidade e raça original da população brasileira é a miscigenação de todas as raças, mas existem carecas indiferentes ou simpatizantes, em especial na região Sul e Sudeste do país, onde há um movimento de independência de caráter muitas vezes branco-separatista.

Juntamente com os skinheads, alguns punks começaram a se identificar com o National Front, partido político britânico de orientação de extrema direita e xenófobo. E esse foi o exato momento em que nasceu o movimento skinhead nacional-socialista (NS), como é conhecido. Aqueles percursores do movimento skin-neonazi prentenderam se apossar do legado de “Honra e Fidelidade”, das Hitler-Jugend e o se uniram com a cultura juvenil dos começos dos anos 70. Assim, os skinhead deixam de ser um movimento musical para se tornarem um movimento juvenil nacional-socialista.

Margaret Thatcher, primeira ministra britânica, de frente com o avalanche de atos de vandalismo protagonizados pelos neonazis, declarou que ia crucificar todos os skinheads, a imagem de um skinhead pregado na cruz passou a ser uma das tatuagens mais solicitadas em Londres, e mais tarde se transformaria em um símbolo universal encontrado estampado em camisetas, chaveiros, pôsteres, e tatuagens de vários skins espalhados pelo mundo. Esse símbolo fascinou vários adolescentes por ser um elemento blasfemos e trangessor dos bons costumes e dos símbolos mais sacrossantos dos sistema. Mas, por outro lados, sua aparência buscava potencializar essa imagem de dureza e violência, evoluindo até chegar a construir um uniforme autêntico. Assim sua estética nos anos 80 evoluiu para um aspecto paramilitar: jaqueta de aviados de bombardeiros ou Harrington, calças de combate e botas escuras Doc Martens, de bico de aço com cordões brancos (que simbolizam a superioridade do branco sobre o negro.) Também se mostram suas característica abundantes tatuagens por todo o corpo (rostos de Hitler ou Rudolf Hess, runas, cruzes, gamadas, suásticas, etc). E claro, a cabeça raspada.

Durante os anos 80 a imprensa começa a atacar os skinheads por sua atitude agressiva e referir-se a sua música Oi! como incentivadora da violência. Devido a isso, algumas bandas formam RAR “Rock Against Racism”(Rock Contra o Racismo) para demonstrar à opinião pública que nem todos os cabeças raspadas eram nazi ou xenófobos. Essa nova ideologia do movimento skinhead acabaria se transformando em SHARP “Skinhead Against the Racism Prejudice” (Cabeças Raspadas Contra os Preconceitos Raciais). Ou, chamado de red-skins ou skins comunistas. Assim o movimento skin foi se ampliando e dando origem a várias fragmentações, as mais conhecidas são:

  • Skins – gay ou Homoskins: cabeças raspadas homossexuais, se diferenciam dos demais ao usar cadarços rosados ao invés do brancos nos coturnos;
  • Skingirls ou Chelseas: noivas dos skinheads, que acabaram se convertendo em movimento com identidade própria;
  • WP – Skinheads: racialistas ou racistas seguidores do White Power e de As 14 palavras de David Lane: “Devemos assegurar a existência do nosso povo e um futuro para as crianças brancas.”
  • SxE – Skinheas: Straight Edge Skinheads ou puristas do culto ao natural, além das drogas repudiam o álcool, o tabaco e o consumo de carne. Usam cadarço verde para se destacar dos outros.
  • Skins-Hooligans: antepõem sua paixão pelo futebol à componente política ou musical do movimento skin.

Atualmente é comum os meios de comunicação e muitas pessoas associarem a palavra skinhead às agressões fascistas e grupos neonazistas, mas vale ressaltar que tradicionalmente os verdadeiros skins têm estado sempre à margem dessas atitudes condenáveis de agressões contra o próximo. Portanto, ao ouvir a expressão skinhead ou ao ver um simpatizante dessa cultura, não é bom rotulá-lo como a mídia faz, primeiramente devemos saber se aquele skin pertence à cultura originária na década de 60 ou aos grupos nascidos na fragmentação do movimento na década de 80.

Entre tantos grupos fragmentados temos diferentes ideologias. O WP – Skinheads, um dos mais conhecidos, implica na forma de pensamento evolucionista e do darwinismo social, defendendo a segurança da raça branca para que não ocorra a miscigenação, pois esta implicará no fim da raça branca, baseados na teoria de David Lane que era escritor, nacionalista e defensor da supremacia branca estadunidense. Assim podemos afirmar que esse grupo tem uma tendência de se afirmar como superior melhor e tem como privilégio acabarem com os pensamentos considerados inferiores por eles.

No Brasil os skinhead formaram-se os Carecas e WP skinhead. Em 1985, se realizou o primeiro recital Oi! que terminou com várias mortes e dezenas de feridos e 120 detidos. Esse recital ficou conhecido como Dezembro Negro. A partir daí o movimento neonazi se espalhou no Brasil. Só em São Paulo há cerca de mil skinheads. As principais organizações sãos Carecas do ABC, Carecas do Brail (RJ) e WP skinheads. Aqui o movimento skinhead se dividiu entre skins separatistas e integralistas (Carecas). A parte separatista se deve ao fato de que no norte e nordeste do país vive a maioria da população negra e indígena. Mas, apesar de se dizerem NS, há muitos mestiços e alguns negros skinhead, o que se torna contraditório. Já foi identificado na grande São Paulo, cerca de 25 gangues que juntas reúnem 250 integrantes. Só na capital ocorrem cerca de 130 inquéritos por crime de ordem. No Brasil os maiores estados que concentram o maior numero de skinheads são o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais.

Eles seguem um rígido Código de Conduta. A prisão é colocada como algo inevitável e há orientações de como agir nesse caso: não confesse nada, mesmo sob pressão e só responda a sua idade, nome e endereço quando interrogados.

Mas alguns grupos aceitam a idéia de miscigenação no Brasil, crendo que a nossa identidade original é a miscigenação. Além disso o que é surpreendente é que nesse grupo existem fragmentações homossexuais que muitas vezes sofrem preconceito por esses Skinheads. Uma entrevista de um menino, homossexual que quis ser um Skinhead nos mostrou que existem grupos pacíficos que promovem passeatas, movimentos a favor de direitos iguais.

“Com 16 anos, Danilo se interessou pela cultura dos skinheads, de suspensórios, coturnos, tatuagens e cabeças raspadas. Se ele não fosse gay, entrar para essa tribo seria fácil. Para ele skinhead era um cara que gostava de ouvir ska, tomar cerveja e jogar futebol com os amigos. Mas naquela época as notícias sobre skinheads já envolviam violência e preconceito.

Hoje com 29 anos, ele ajudou a criar pela internet uma Ação Antifascista, na qual a maioria dos integrantes são heterossexuais e defendem a luta contra a homofobia. O grupo, criado há dois anos, já participou de marcha contra a homofilia, de marchas contra o aumento do ônibus, a favor da legalização da maconha e estiveram na Parada Gay.  “Somos contra qualquer tipo de preconceito e lutamos pelas liberdades.” (Folha.com – cotidiano. Reportagem de CRISTINA MORENO DE CASTRO de São Paulo – SP)

Com a idéia da evolução temos junto a ela a idéia etnocentrista usadas para fins políticos, econômicos e de dominação no século XIX, dando uma forma de pensamento que não aceita nada que seja “diferente” e sociedades baseadas na intolerância, na exclusão, no conflito e na violência, o que realmente acontece hoje. Tudo que é considerado diferente da nossa cultura se torna algo ignorante que muitas vezes se desencadeia em conflitos.

Os skinhead se contradizem tendo qualquer tipo de preconceito com demais grupos e culturas, pois também são um grupo fechado que não aceita serem rotulados como apenas quem anda de coturnos e alguns de cabelos raspados, apresentam uma ideologia, muitas vezes intolerantes, mas por isso deveriam respeitar as demais ideologias ou formas de viver.

Conclusão

Apesar de estarmos no século XXI alguns pensamentos e ideologias do século XIX deixaram suas raízes no mundo atual, como as teorias do darwinismo social e da evolução que foram apresentadas como uma justificativas políticas e de dominação de outros povos. Depois de tanto tempo essas teorias tiveram sua implicação hoje, mostrando a existência de movimentos de preconceitos.

Até no Brasil que é um país cheio de “cores” e vários tipos diferentes de pessoas, onde isso parece ser aceitável, existem pessoas que não aceitam isso e acabam discriminando certas regiões, como os skinheads separatistas que vêem o norte e o nordeste do país como uma região miscigenada com negros e índios, o que se torna totalmente contraditório, pois até os skinheads apresentam neles negros e pessoas miscigenadas.

O mundo ainda hoje, como no século XIX não aceita a idéia de miscigenar, para eles o que importa é ressaltar a segurança de uma única raça e não deixar esta ter um fim. Apesar de hoje em dia terem sido comprovadas as teorias de que não existe raça única e que desde o começo da história houve miscigenação e diferentes cores de pele, a idéia de que ainda existe uma raça superior não foi totalmente banida.

Pior do que não aceitar a idéia de que a raça não é única é aceitar a intolerância com culturas diferentes, sendo que é impossível um povo muito grande ter uma única cultura, ou pior, julgar tais culturas evoluídas ou não.

A partir disto vemos que ainda existe o preconceito que emergiu no século XIX e afetou a nossa sociedade. Grupos como skinheads que muitas vezes não toleram outros grupos como punks, ou pessoas de regiões diferentes, nordestino e nortistas, ou pior ainda continuam racistas, são exemplos de que a biologia não conseguiu encerrar essa forma de pensamentos de raças superiores. Mesmo depois da morte de Hittler ainda tivemos alguns que continuaram seus seguidores, como os skinheads que tatuam na pele a sua imagem para mostrar sua luta.

Não vivemos em um mundo livre do evolucionismo e do darwinismo social. È certo que existem grupo pacíficos que lutam pela igualdade de direitos, até mesmo nos skinheads, mas ainda existem pessoas intolerantes.

Não somos todos iguais seria impossível igualar todos nós com tanta cultura em várias regiões do mundo. O que importa é saber respeitar as diferenças, o que ainda não vemos. A idéia de querer uma única cultura se torna totalmente surreal em um mundo que existe várias formas de pensamentos, cultos e afins.

Está na hora de todos pararem pra pensar e ver que é maravilhoso esses diferentes aspectos culturais, sem julgá-los por serem evoluídos ou não. Falta ainda hoje, em um mundo que parece esta cada vez mais globalizado, um pouco de respeito e compreensão.

Grupo 7 – nº 12, 17, 21, 22

Da consciência branca à consciência negra


O pensamento racista, evolucionista e etnocentrista têm marcado o mundo desde o fim do século XIX. Porém assume aspectos diferentes em diversas regiões do mundo. E para entender como o preconceito ainda é um assunto tão presente pode-se ver acontecimentos que ocorrem na Europa e nos Estados Unidos.

Na Europa, o pensamento racista surge com a ideologia capitalista de que para ser uma potência imperialista era necessário ter os 3M’s (matéria-prima, mercado consumidor e mão de obra em abundância e a baixos custos) que eram encontrados na África. E a desculpa utilizada era que o europeu, branco, burguês, liberal e industrial era uma raça superior e que deveria cumprir sua missão civilizatória, levando a civilização aos africanos, selvagens e inferiores. A dominação de outros povos deu-se graças ao conceito científico de Darwinismo Social que gerava um grande sentimento racista na sociedade europeia.

Já nos EUA, o pensamento racista e preconceituoso se iniciou com o Destino Manifesto, uma predestinação divina de que o homem, branco e puritano; nascia para levar a liberdade para os povos da América. Com essa ideologia, os americanos atingiram seus objetivos, mas assim como os países da Europa, os EUA precisavam se tornar uma potência imperialista e industrial. Surge assim um problema, pois a América estava dividida entre ser industrial (Estados do Norte) e ser agroexportadora (Estados do Sul). Isso motivou a Guerra de Secessão, que resultou na vitória dos Estados do Norte e como consequência os Estados do Sul perderam os seus direitos políticos, e foram proibidos de praticar a escravidão. E como se já não bastasse, o governo nomeou interventores negros e nortistas para governar os Estados do Sul. Essa Restauração Radical provocou o ódio racial surgindo a Ku Klux Klan.

Tendo em vista esses conceitos históricos da Europa e dos Estados Unidos, pode-se entender fatos que acontecem hoje.

Uma reportagem do site Mediapart afirmou que em novembro de 2010, Blanquart propôs secretamente um limite de 30% na proporção de jogadores negros e de origem árabe que poderiam usar alguns centros de treinamento, inclusive a renomada academia de futebol Clairefontaine. Blanc teria concordado com a proposta, afirmando que seria uma forma de promover “a nossa cultura, a nossa história”. O técnico francês defendeu-se das acusações dizendo que suas declarações foram retiradas do contexto original. Blanc e Blanquart estavam discutindo junto com o técnico da França sub-21, Erick Mombaerts, e da seleção sub-20, Francis Smerecki, formas de evitar que jogadores que treinam por anos dentro do sistema francês de futebol saiam para defender outras seleções no futuro. “Não há nada que indique que Laurent Blanc estava apoiando práticas discriminatórias”, disse a ministra francesa dos Esportes a jornalistas. “Laurent Blanc estava participando deste tipo de reunião pela primeira vez. Ele não tinha nenhum projeto ou opinião fixa. Não há nada que sugira que Laurent Blanc apóie orientações discriminatórias.” Ela disse que a discussão ocorrida em novembro foi “desastrada e desnecessária”. A ideia de cotas foi apenas sugerida, e nunca correu o risco de ser implementada. Por isso, segundo a

ministra, não há motivos para se dar início a um processo legal. Apesar das desculpas é possível perceber que o sentimento racista ainda existe na Europa.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Segurança Interna emitiu recentemente um relatório arrepiante dizendo que os americanos podem esperar um aumento no “extremismo de direita” de nacionalistas brancos, milícias e grupos como o Ku Klux Klan. O Klan, é claro, teve uma mão em alguns dos atos mais infames da nação do terror racial e assassinatos.

O grupo racista americano Ku Klux Klan (KKK) também tem sua ramificação na Itália através de um site pelo qual aceita inscrições de quem quiser defender sua ideologia, além de incitar ataques contra negros, homossexuais e judeus, segundo o jornal La Repubblica em sua versão digital. O jornal alertou sobre o agravamento do fenômeno racista, além de citar que, no site, o “reino italiano” chama “qualquer italiano que queira defender a origem branca, porque o homem branco nunca foi livre para exercitar seu próprio poder em suas próprias terras e nações”. O mais impressionante é que o site faz referência aos “irmãos” americanos e fala de ataques a “negros, imigrantes, homossexuais e judeus” para dar vida a um Estado “branco e cristão”. Essa ideologia é tão presente mesmo sabendo que “A Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia garante ao cidadão europeu, em seu artigo 21º (item 1), a proibição da discriminação por motivo de raça, cor ou origem étnica, entre outras formas de discriminação ali previstas.”.

“Somos fiéis aos princípios do Ku Klux Klan fundado em 1865”, dizem na seção italiana do movimento e falam de uma “missão sagrada”. Essa missão nada mais é do que a demonstração de que a influência ideológica é muito forte. O ministro do Interior italiano, Roberto Maroni, disse que usará todos os meios para bloquear “esta asquerosa palhaçada”. Já a ministra da Igualdade, Mara Carfagna, afirmou que “infelizmente esta palhaçada pode se tornar perigosa, porque nos encontramos frente a pessoas que incitam nossos cidadãos a discriminar negros, homossexuais e pessoas de orientação religiosa diferente da nossa”. Para Mara, o KKK utiliza, para isso, “sites e canais de comunicação na internet que são muito utilizados pelos mais jovens e é visível por todos, inclusive por crianças”.

Bem, o ódio racial pode ser visto tanto nos EUA quanto na Europa. Porém, o mais preocupante não é a parcela da população que age de forma extrema com o ódio racial, mas a parcela que demonstra o ódio racial de forma indireta. Um exemplo é o desemprego negro nos Estados Unidos que é o mais alto em 27 anos. O relatório de empregos de Agosto foi sombrio por muitas razões, mas talvez o mais impressionante foi o retrato que pintou da desigualdade racial no mercado de trabalho. Desemprego negro subiu para 16,7% em agosto, seu nível mais alto desde 1984, enquanto a taxa de desemprego para os brancos caiu ligeiramente para 8%, segundo o Departamento do Trabalho. O Desemprego negro foi aproximadamente o dobro dos brancos desde que o governo começou a acompanhar os números em 1972. Economistas culpam uma variedade de fatores. A força de trabalho negra é mais jovem do que a força de trabalho branca, menor número de negros obtem um diploma universitário e muitos vivem em áreas do país que foram mais duramente atingidos pela recessão – todas as coisas que poderiam levar a uma maior taxa de desemprego. Mas mesmo excluindo esses fatores, os negros ainda são atingidos com maior

desemprego. “Mesmo quando você comparar trabalhadores negros e brancos, mesma faixa etária, a mesma educação, você ainda vê lacunas muito significativas nas taxas de desemprego”, disse Algernon Austin, diretor da Raça, Etnia, e do programa de Economia do Instituto de Política Econômica. “Então, eu acho que o fato de discriminação racial no mercado de trabalho continua a desempenhar um papel”.

Cerca de 155.000 negros conseguiram empregos em agosto, mas a taxa do grupo de desemprego ainda subiu porque os empregos não foram suficientes para compensar todas as pessoas que começaram a olhar para o trabalho durante o mês. No entanto, o ganho para os brancos de 211.000 postos de trabalho foi suficiente para trazer a taxa de desemprego para baixo. Globalmente, os homens negros têm o pior, com desemprego em alta, 19,1%, em comparação com 14,5% para as mulheres negras. Desemprego negro até agora permaneceu acima de 10% por quatro anos consecutivos, e dado a lentidão econômica atual, alguns especialistas dizem que é possível prever que a taxa ficará acima de 10% por mais quatro anos.

Conclui-se por meio de fatos históricos, dados estatísticos, reportagens, leis e entrevistas, que o velho pensamento racista formado na Era dos Impérios ainda é muito presente na sociedade atual Americana e Européia. E mesmo com a miscigenação das raças, com pesquisas biológicas que destroem a existência de raças ou sub-raças humanas, o preconceito ainda impera sobre as pessoas. Alguns reconhecem as diferenças e respeitam, mas outros insistem em fazer com que só a sua cultura, só a sua raça e só a sua ideologia seja considerada a ideal. O ser humano só entenderá as diferenças de cada indivíduo se colocado no lugar dele, passando da consciência branca à consciência negra.

Grupo 03 – Números: 11, 15, 28, 33, 36 e 39.

PENSAMENTO EVOLUCIONISTA ETNOCÊNTRICO NOS DIAS ATUAIS


1 – Introdução

Com a revolução industrial na Europa, surgiu um cenário de crise devido ao excedente de oferta maior que a procura. O mercado não era o bastante para a super produção da época. Nasce a necessidade de novos mercados, matéria-prima e mão-de-obra, mas isso deveria ocorrer fora da Europa (pois a capacidade máxima daquele continente já havia sido atingida). Como justificativa da colonização da África e Ásia, passou a ser aplicada a idéia de evolucionismo ao invés dos aspectos econômicos (verdadeiros responsáveis por tal empreitada).

2 – Evolucionismo

Trata-se do pensamento de divisão da humanidade em diversas espécies em diferentes etapas do desenvolvimento do processo evolutivo. Ou seja, desde a sociedade mais simples, até a mais civilização mais desenvolvida. A partir disso, todas as nações tendem a se desenvolver, e aquelas que predominarem como mais poderosas, se afirmam superiores às demais. Isso também pode ser entendido como etnocentrismo (tendência de um grupo ou nação de se sobrepor a outro).

3 – Imperialismo

Se apoiando nesse raciocínio, a Europa justifica sua dominação sobre os outros continentes. Portanto, colocava-se na posição de “levar o desenvolvimento” para essas nações, ditas inferiores. Afinal, a Europa seria a civilização mais desenvolvida, o “limite do potencial humano”. Cria-se então uma contradição, pois a própria Europa passava por uma crise, indicando que seu desenvolvimento não era tão pleno.

4 – Racismo

Desde então, foi criada uma relação de superioridade enraizada no pensamento europeu colonialista. Mesmo depois de provadas insustentáveis, essas teorias refletem até hoje no pensamento de muitos. Pois não é tão simples mudar uma ideologia de uma sociedade. Nesse cenário encaixa-se o racismo, a xenofobia e a intolerância no geral.

5 – Hoje: Os EUA no Oriente Médio

A discriminação baseada em raça, religião, nacionalidade e classe social existem ainda hoje, e se refletem em muitas questões políticas e econômicas internacionais. Movimentos nazifascistas, e a própria guerra fria(EUA e URSS se afirmavam superiores a outras nações ao aplicarem seus respectivos modelos econômicos), são exemplos históricos de como esse pensamento originou grandes conflitos entre nações.

Desde a década de 90, com a guerra do Afeganistão, os EUA têm interferido nos assuntos políticos e econômicos do Oriente Médio. Com a premissa de nação mais poderosa do mundo, eles julgam necessária a interferência deles em outros países, da mesma forma como fora o imperialismo europeu.

Após os atentados de 11 de setembro, o então presidente George W. Bush lançou a política de Guerra ao Terror. E assim, os EUA agiriam como “protetores do bem” ao combater o terror proveniente dos países do “Eixo do Mau”. E, de forma semelhante ao imperialismo, essa empreitada mascarou o verdadeiro motivo da ocupação americana naquele sub-continente, que era principalmente econômico. Atrás de fontes de energia tais como petróleo, os EUA se mantiveram instalados por quase uma década naquela região.

6 – Notícia: Massacre na Noruega

Norueguês suspeito de matar pelo menos 92 pessoas em dois ataques nesta sexta-feira (22) é um ex-membro de um partido populista antiimigração que escreveu em blogs atacando o multiculturalismo e o islamismo. Ele também teria contatos com ultradireitistas e neonazistas.
O suspeito, detido depois de 85 pessoas terem sido mortas a tiros em um acampamento de jovens e outras 7 terem morrido em um ataque a bomba na sexta, foi identificado pela mídia norueguesa como Anders Behring Breivik, de 32 anos.

Grupo: Números 01, 02, 09, 16, 19, 35

Racismo/Xenofobia na indústria futebolística europeia


O futebol é o esporte mais conhecido de todo o mundo. Milhares de torcedores fazem de tudo pelos seus times, sejam eles dentro do próprio país, ou mais importante, a própria seleção nacional.

Em abril de 2011, uma notícia chocou a comunidade do futebol, bem como a sociedade em geral. O então técnico da Seleção Francesa de Futebol, Laurent Blanc e o diretor técnico, François Blaquart fizeram uma declaração para seus colegas de trabalho propondo secretamente um limite de 30% na proporção de jogadores negros e de origem

árabe que poderiam usar alguns centros de treinamento, inclusive a renomada academia de futebol Claire Fontaine, idealizada em 1976 pelo então presidente da Federação Francesa de Futebol, Fernand Sastre e que é capaz de criar grandes nomes do futebol francês como Thierry Henry e Nicolas Anelka. Blanc também teria dito que as tais escolinhas davam atenção aos jogadores fortes, porém justamente os negros eram os mais fortes. O técnico da seleção sub-21 da França, Erick Mombaerts, revelou que o Olympique de Marselha e o Lyon já iniciaram a adoção das cotas. Pape Diouf, ex-presidente do Marselha, afirmou não estar surpreso. “A verdade é a seguinte: o futebol francês é a imagem da sociedade francesa, é racista.”

Essa seria uma maneira de promover a cultura e história francesa e deveria ter ficado encoberta, mas como causou grande repercussão, ambos foram julgados e considerados livreis de acusação de discriminação racial, pois além de não haver provas suficientes para incriminá-los, essa seria uma prova do crescente número de adeptos ao racismo na Europa atualmente.

O preconceito contra outras etnias sempre existiu, todavia ganhou força no século XIX com o Imperialismo das grandes potências. O então europeu, religioso, branco, capitalista e industrial fez uso da Teoria da Evolução das Espécies para ter bases científicas sobre a dominação que iriam exercer sobre os povos da África e da Ásia. Essa teoria aplicada na linha social ficou conhecida como darwinismo social, na qual a “raça” branca seria a mais elevada de todas e que as outras funcionavam como estágios inferiores até atingir esse padrão. Assim, se utilizando desse conceito e no fato que tinham que levar a civilização a outros povos, estes constituíram a Missão Civilizatória, que na verdade não propunha levar coisas boas para esses continentes e sim tirar africanos e asiáticos de sua própria cultura e meio de produção e inseri-los na atmosfera capitalista, servindo de mão de obra barata, mercado consumidor e utilizando os recursos existentes em seus territórios. Para melhor entender o que se passou, é importante saber que o homem constrói sua vida em duas dimensões: o da prática econômica (que é a parte da vida humana na qual o homem produz e reproduz coisas para se manter vivo fisicamente e biologicamente) e a prática simbólica (que é a parte da vida na qual o homem produz linguagem, leis, crenças, valores e normas, fantasias, sonhos e paixões. Essas duas dimensões são indissociáveis e é a partir dessa junção que o homem produz cultura. A cultura produzida é altamente diversificada, mas os grandes teóricos da época e até mesmo aqueles depois do século XIX só analisavam o prática econômica, que era capitalista, levando ao pensamento do etnocentrismo e consideravam qualquer aspecto cultural de outros povos inferiores, isso quando o consideravam de fato. Assim, o preconceito contra esses povos cresceu absurdamente e houve o início da formação de sociedades intolerantes, conflitantes e violentas. Muitas pessoas se perguntam porque os povos da África e da Ásia se deixaram dominar pelos europeus e suas teorias evolucionistas, mas especificamente etnocêntricas,a verdade é que a situação foi extremamente complicada, como explica Karl Marx, dizendo que os  europeus utilizavam armas muito fortes, como os aparelhos ideológicos e repressivos, tais como modos de persuasão e de coação respectivamente, sendo assim, os explorados realmente chegavam a pensar que sua exploração era digna e válida.

Com o passar dos anos, novas teorias científicas foram criando sua marca, como a paleontologia e a genética evolutiva e conseguiram provar que aquele pensamento do século XIX estava errado e que o conceito de raça, na verdade era somente uma ideologia.  Porém, não foi e não será a ciência que vai destruir o racismo, já que suas bases se mantêm na medida em que o racismo reforça o sistema capitalista. Infelizmente, nos dias de hoje o racismo ainda persiste, e a França evidentemente é um dos países que mais o pratica, juntamente com o xenofobismo.

Era de se esperar que o racismo diminuísse e não aumentasse no país, visto que na Copa de 1998 o país se uniu e cunhou um termo que ficaria marcado na história da sociedade francesa: no lugar de azul, branco e vermelho da sua bandeira, a França seria “país do branco, negro e marrom”, em referência à composição multiétnica de sua população. A França foi campeã da Copa do Mundo em 1998, inclusive vencendo o Brasil na final, com vários jogadores nascidos fora do país ou descendentes de estrangeiros. Patrick Viera é nascido no Senegal, Marcel Desailly em Gana, Lilliam Thuram em Guadalupe, Christiam Karembeu na Nova Caledônia.

Outros, como Anelka (Moçambique), Evra (Senegal), Malouda (Guiana Francesa), Thierry Henry (descendente das Pequenas Antilhas) também são “estrangeiros”. A contradição fica ainda maior quando o maior ídolo do futebol francês, Zinedine Zidane é descendente de imigrantes da Argélia, país do litoral africano que em 1830 foi invadido pelos franceses, com a intenção de dominar o seu litoral. Em 1857 ocorreu a dominação definitiva dos franceses no território argelino. A luta pela independência se intensificou principalmente após a II Guerra Mundial, com o levante popular de 1945, porém eles foram reprimidos com muita violência por parte dos franceses.

A FLN (Frente de Libertação Nacional) foi organizada em 1954, e deu início a uma luta armada contra a dominação da França. Somente em 1962 os franceses reconheceram a independência da Argélia. Cerca de 1 milhão de franceses deixaram o país em direção à França.

É importante ressaltar que essas ondas de racismo e xenofobismo no futebol não são exclusivas da França e diversos outros países como Inglaterra, Itália e Rússia reprimem durante jogadores negros ou latino americanos, tais como Roberto Carlos, ex jogador da Seleção Brasileira, que passou por dois incidentes na Rússia, os quais torcedores do próprio time jogaram no gramado cascas de banana, dando a entender que o jogador seria um macaco, ou seja, um ser subdesenvolvido. O mesmo aconteceu com Neymar, jogador do Santos Futebol Clube, em Londres, em março deste ano, na partida entre as Seleções do Brasil e da Escócia, onde alguém que estava na torcida arremessou uma casca de banana no campo logo após um gol do craque.

Assim, fica evidente que o mundo de hoje não é tão diferente do mundo do século XIX, pois a indústria futebolística, que funciona nas bases do capitalismo, continua a ditar as regras contra os jogadores das mais variadas partes do mundo e mesmo que os atletas ganhem uma quantidade enorme de dinheiro, não passam de animais que as elites consideram inferiores e que funcionam de peça de um jogo de xadrez para sua diversão. A questão é, se eles fossem tão superiores porque utilizar jogadores de outras descendências ou nacionalidades em detrimento dos puros e evoluídos?

Grupo 5 (Números: 04, 13, 25, 29, 37 e 42)

Nazismo


De todas as ideologias racistas que surgiram no mundo, o Nazismo, talvez, seja a mais conhecida delas. O Nazismo surgiu na Alemanha, baseado em vários conceitos, um deles, talvez o mais importante, o Pangermanismo, movimento que influenciou a Alemanha do II Reich (Império Alemão/Deutsches Reich  1871-1918), que junto com o Império Austro-húngaro e o Império Turco-Otomano enfrentaram a Inglaterra, França e Rússia (mais tarde os EUA) na Primeira Guerra Mundial em busca de expansão e dominação alemã na Europa. Com a derrota na Guerra, o povo alemão sofreu duras imposições dos vencedores, principalmente da França. Este foi um dos grandes motivos para que o povo alemão permitisse a subida de Hitler ao poder. O Nazismo teve grande influência nas ações da Alemanha antes e durante a Segunda Guerra Mundial. E as ideias ambiciosas dos generais Nazistas foram as precursoras da Bomba Nuclear e dos Misseis Balísticos Intercontinentais (ICBM) desenvolvidos ao longo da Guerra Fria.
Existe um fato um tanto curioso no nome “Nazismo”. Nazismo é um palavra que é originada de outras 2 palavras alemãs: National Sozialistische, ou seja, Nacional Socialista. O fato curioso é que o Nazismo pregava contra o Socialismo de Marx. Para os Nazistas, Marx, um judeu, se aproveitou da palavra “Socialista” em sua teoria Comunista, Hitler dizia que o termo “socialista” era uma palavra de origem alemã, correspondente a um modelo ideal de terras semicoletivas, semiprivadas que existia entre os antigos povos germânicos do 1º Reich (Sacrum Romanum Imperium/ Heiliges Römisches Reich    –  962/1806)
A ideia do nazismo surgiu na obra de Adolf Hitler chamada Mein Kampf (“Minha Luta”), onde Hitler analisa a situação do antigo Império Austro-húngaro, afinal, Hitler era Austríaco. Para ele, a diversidade étnica e linguística enfraqueceu o Império, e dizia que a democracia era uma força desestabilizadora, já que minorias étnicas poderiam assumir o poder, podendo desestabilizar e enfraquecer mais o império. Ele defendia a ditadura como forma de governo. Na teoria do Nazismo, a raça ariana é uma raça superior as outras. Nesta teoria, o Nazismo defende que uma nação é a máxima criação de uma raça, portanto, apenas raças superiores poderiam criar nações fortes. No caso, os alemães deveriam formar a nação mais poderosa de todas. Ainda dentro desta teoria, o Nazismo afirma que as raças superiores poderiam invadir as nações de raças inferiores para formar o seu “Espaço Vital” (Lebensraum).Existiam ainda as raças sem pátria, ou seja, raças parasitas. A Raça-Mestre, como era chamada as raças superiores, poderiam exterminar essas raças parasitas. Mas havia um problema nesta teoria. Se os alemães são superiores, como foram derrotados na Primeira Guerra? Primeiro, vamos analisar o contexto do final da primeira guerra. Em 1917 a Alemanha havia derrotado a Rússia, que se retira da guerra em meio à Revolução Socialista. Entretanto, o povo alemão também estava insatisfeito com a guerra que já durava tempo demais e havia consumido vidas demais enquanto a elite do país continuava vivendo de forma extravagante. Em 1918 tem início na Alemanha uma série de rebeliões populares, de trabalhadores e soldados, que, inspirados na Revolução Russa de 1917, pretendiam derrubar o governo e acabar com a guerra. Os movimentos mais fortes eram justamente os socialistas, organizados pelo grupo chamado de Spartakista ou Liga Spartacus, liderados por Rosa Luxemburgo que havia convivido com Lenin quando este morou na Alemanha. Quase simultaneamente, estouravam rebeliões de camponeses famintos no sul da Alemanha e na região da Bavária. Os comunistas quase tomaram o poder em janeiro de 1919. Entretanto durante todo o período 1917-1919 a situação da elite alemã era muito frágil, e a ameaça da insurreição era constante e a elite temia que uma revolução popular pudesse acontecer a qualquer momento.

Apesar da guerra no front ocidental estar tecnicamente empatada, a entrada dos Estados Unidos a favor da Inglaterra e da França em 1917, começava a mudar a guerra contra a Alemanha. A elite alemã toma uma decisão desesperada: aceita um acordo de paz desfavorável para não correr o risco de ver uma revolução comunista na Alemanha. A elite alemã literalmente traiu a Alemanha e, ignorando os milhões de alemães mortos na guerra, decidiu por um acordo de paz pouco favorável para continuar mandando no país. Afinal, para a elite alemã, pior que a derrota era perder seus preciosos bens, que a elite russa viu serem expropriados pela Revolução Russa de 1917. A elite alemã preferiu “perder os anéis” para “preservar os dedos”. A sensação que ficou para o povo alemão foi de traição. Na década de 1920 os Nazistas surgiram com força se opondo aos Comunistas, utilizando-se de discursos anticomunistas para conseguir doações dos banqueiros e industriais da Alemanha para suas campanhas eleitorais. Mas isso criou um problema. Como explicar como a Alemanha, criada por uma raça superior, perdeu a guerra e não culpar os banqueiros, que sustentam os Nazistas? Foi ai que surgiu a teoria de Hitler, argumentando que a Alemanha sofreu uma conspiração dos Judeus. Hitler cria uma maléfica e terrível conspiração judia de vários países que se uniram para derrotar a Alemanha. Com essa grande sacada, Hitler explica a derrota da Grande Guerra, encobre a traição dos banqueiros alemães e ainda consegue colocar a culpa nos Judeus e Comunistas. Dai surgiu uma das consequências mais graves da Segunda Grande Guerra:  o Holocausto. Quando Hitler sobe ao poder em 33, os Judeus que tinham condições econômicas saíram da Alemanha, mas a grande maioria não possuía estas condições e acabaram ficando. Em 33-34, começaram a caça aos “judeus comunistas”, possibilitando Hitler eliminar o partido de oposição, o Partido Comunista Alemão, prender e matar os líderes sindicais (a maioria comunistas) e criar uma ditadura. Em seguida, a “depuração” da sociedade alemã (como os nazistas denominavam este processo de limpeza étnica) continuou com prisões de judeus, enviados para trabalharem de forma forçada. Os Judeus que fugissem para os países vizinhos acabariam sendo capturados, já que a Alemanha os conquistaria provisoriamente na Segunda Grande Guerra. No final da Segunda Guerra, quando finalmente Hitler percebeu que a Alemanha estava sendo derrotado por povos que considerava “inferiores” (Americanos e Soviéticos), o Führer ordena que o povo alemão lute até o último homem, pois se não era forte o bastante para derrotar os “bárbaros” era melhor que fosse eliminado. Ao todo, a loucura da II Guerra Mundial ceifou cerca de 70 Milhões de vidas humanas. Mesmo com tamanha atrocidade causada pelo Nazismo, muitas pessoas aderiram as ideias do Nazismo e formaram um movimento chamado Neonazista. Os neonazistas negam ou minimizam o Holocausto da Segunda Guerra. Enquanto especialistas colocam as mortes na casa de 6 milhões de pessoas, os neonazistas ou negam que tenha ocorrido, ou diminuem o mesmo, afirmando que as mortes não passaram de 500 mil pessoas. Normalmente existem diversos grupos neonazistas, principalmente formados por jovens entre 16 e 25 anos de idade. O material destes grupos provém de sites na internet, tendo forte influência de grupos neonazistas alemães, ainda presentes. Mesmo a Alemanha tendo proibido qualquer atividade relacionada ao nazismo, estes grupos são mantidos por partidos de extrema direita, sediados na Europa e em outros países.
O aumento da quantidade de grupos neonazistas levou ao maior estudo dos mesmos, tanto profissionalmente por especialistas quanto de modo amador pela sociedade de um modo geral, ambos buscando explicações plausíveis para tal fenômeno. Das explicações encontradas, uma das mais aceitas e tida como razoavelmente plausível é: Os jovens procuram grupos neonazistas porque não encontram respostas para questões de ordem familiar, pessoal, social e até mesmo cívica.
Nos EUA, o crescimento vertiginoso do crime simultaneamente ao das imigrações ilegais e da forte difusão da cultura afro-americana e latina cria um sentimento de angústia e medo por parte da suposta “raça branca”. Os jovens brancos estadunidenses convivem com organizações que culpem essas minorias étnicas (latinos não brancos e afro-americanos) por tais problemas, e algumas dessas são movimentos neonazistas. Assim, explorando a vulnerabilidade juvenil, os movimentos neonazistas reúnem e trazem para a sua organização grande parte desses jovens. A própria proibição de propagação do nazismo na maioria dos países estimula os jovens que inicialmente não conheciam o nazismo a interessar-se nos movimentos, visto que é característica marcante dos jovens a busca da expressão de rebeldia e contestação.

Essa busca por culpados para os problemas rotineiros obviamente não levam o jovem extremista ao caminho do neonazismo. Enquanto os neonazistas culpam minorias étnicas e religiosas, outros grupos culpam, por exemplo, o grupo político que está no poder, podendo ingressar em grupos de radicais políticos.

O recrutamento de novos membros ocorre principalmente pela ferramenta mais popular atualmente, a internet. Apesar de inúmeros países terem leis que proíbam a divulgação da ideologia nazista, os sites se hospedam em países que permitem tal divulgação, dificultando a punição destes envolvidos. Nestes sites encontram-se materiais para divulgação dos movimentos neonazistas, informações de reuniões, artigos e textos de apoio à causa neonazista. Mesmo assim esses sites registram inúmeros acessos diariamente, estando principalmente em inglês, alemão e português, respectivamente. Existem muitas propagandas desses sites em outros sites alemães, aumentando mais ainda a divulgação do movimento neonazista.

Grupo 4 – Números: 6,8,20,23,24,43

 

Preconceito contra Muçulmanos


Há 10 anos, no dia 11 de setembro de 2001, um atentado terrorista nos Estados Unidos provocou a morte de centenas de pessoas. O atentado, sob a liderança de extremistas islâmicos, criou um estereótipo de muçulmano, que se espalhou pelo mundo ocidental.

Antes de falar de como essa discriminação se evidenciou, precisamos entender como o passado contribuiu para que o preconceito se consolidasse na cabeça das pessoas. Para isso, primeiramente, iremos analisar as teorias sociais que se transformaram em pensamentos sociais e foram aplicados como política, de forma que “entraram” na cabeça das pessoas.

A base está na corrida imperialista do século XIX. As potências européias precisavam expandir suas economias (capitalistas) e, para tanto, necessitavam de mercado consumidor, mão de obra barata e matéria prima. Lançaram-se, pois, ao (neo)colonialismo, “dominando” outras [não]civilizações. Não civilizações porque, ao olhar europeu, esses povos haviam parado na linha evolutiva, ou seja, não se desenvolveram. Assim, os [civilizados]impérios utilizaram de teorias científicas emergentes, como a Teoria da Evolução das Espécies, de Darwin, e as transpuseram e aplicaram ao contexto social, dando origem ao Evolucionismo e Darwinismo Social.

Tornava-se, assim, responsabilidade do homem europeu, católico, branco e industrializado, levar a civilização a povos estagnados evolutivamente, sendo esse o “Fardo do Homem Branco”. Temos, então, a primeira manifestação clara de discriminação, nesse momento eurocêntrico, que desencadeou a formação do pensamento racista (raças da humanidade, de acordo com seu desenvolvimento).

Precisamos, ainda, entender como um homem se estabelece numa cultura, ou seja, como se formam as culturas. Simplificadamente, o ser humano se torna humano quando, a partir de sua relação com outro Homem, consegue estabelecer uma dominação sobre a natureza. Esse conjunto é responsável pela formação de conhecimento, que aplicado à uma comunidade, sintetiza-se em uma cultura. Resumidamente, o homem só se torna um ser social a partir da prática social, ou seja, a partir da vida em sociedade.

Podemos afirmar que uma das maiores conseqüências do 11 de setembro, além de ter sido o estopim de uma guerra contra o terrorismo, que demonstrou uma ação neo-imperialista objetivada pela intervenção em diversas partes do mundo, foi também o pensamento anti-islâmico estabelecido pelos próprios cidadãos americanos e pela sua política de imigração.

Na caça aos terroristas responsáveis pelas atrocidades que chocaram o mundo, os seguidores de Alá e os descendentes das nações árabes passaram a ser vistos como inimigos. Até mesmo os que não têm nada a ver com árabes ou com o islamismo, como os sikhs indianos – cuja semelhança com os muçulmanos é o turbante –, foram vistos como pessoas perigosas. Estima-se que vivam, nos EUA, seis milhões de muçulmanos, sendo dois terços deles árabes.

No ano de 2000, foram notificados 28 casos de crime de ódio contra muçulmanos. Em 2001, 481 casos, sendo que grande parte contra pessoas que usavam um turbante. Ou seja, uma dimensão simbólica, representada pela proclamação da fé através dos costumes de vestuário, tornou-se motivo para agredir uma pessoa. Gente inocente pagou o preço dos outros seis mil inocentes que morreram nos ataques terroristas. E, assim, uma febre contagiosa, como uma praga atual, espalhou-se pelo mundo.

Uma notícia veiculou o seguinte: “Mas a paranóia dos ‘seres árabes ameaçadores’ não acontece só nos EUA. No Reino Unido, segundo o presidente da Comissão Islâmica de Direitos Humanos, Masoud Shadjareh, ‘houve um aumento considerável de agressões em bairros londrinos onde há maior concentração de muçulmanos, como Wembley e Londres Ocidental’. Na Espanha, seis argelinos foram detidos por suspeita de ligações com o terrorismo. Mas o pior foram as declarações do premiê italiano, Silvio Berlusconi: ‘Devemos estar conscientes da superioridade da nossa civilização, que garantiu o bem-estar, os direitos humanos e a tolerância política e religiosa, o que não é uma tradição entre os islâmicos’ e que ‘a civilização islâmica está estagnada há mais de 1.400 anos’.”

Certamente, Silvio Berlusconi foi infeliz em sua frase. Ao afirmar a superioridade da civilização, o premiê retomou os princípios evolucionistas, o conceito de darwinismo social que já comentamos. Evidencia-se, pois, um pensamento que se alastrou no mundo ocidental capitalista: “Somos superiores aos muçulmanos” ou “todo muçulmano é terrorista”.
O tratamento a muçulmanos em aeroportos, por exemplo, também mostrava a posição dos EUA em receber tal povo em seu território. Na verdade, foi extremamente, sem hipérboles, dificultada a entrada desse povo no país (além de muitos outros, é claro).

Passado um ano do atentado, pesquisas mostraram que “57% dos muçulmanos em todo o país sofreram algum tipo de preconceito relacionado aos atentados de 11 de setembro.” Além disso, 66% dos entrevistados deram nota igual ou inferior a três, numa escala de 1 a 10, à administração Bush desde o 11 de setembro.

Em pesquisa realizada pelo Instituto Gallup, em 2009, quatro em cada dez americanos admitem ter pelo menos um pouco de preconceito contra mulçumanos. O dobro, quando comparado a outras religiões. Desde então, a proclamação da fé islâmica tornou-se mais complicada, em cidades como Nova York. O preconceito recebeu até “nome especial”, é a islamofobia, que por sinal, não deve ser visto como uma fobia, mas sim como um ato preconceituoso.

Além disso, durante esses 10 anos, um caso polêmico dividiu opiniões nos EUA. Vejamos o trecho de uma notícia:

“Um dos episódios mais polêmicos foi o projeto para erguer um centro cultural islâmico, com uma mesquita, em um prédio, perto do local onde ficavam as torres gêmeas. O objetivo era criar um símbolo de tolerância religiosa.

O projeto recebeu apoio de políticos como o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. No local houve inúmeras manifestações. Muitos declararam apoio, pessoas que defendem a liberdade de religião no país e o fim do preconceito contra os mulçumanos. ‘Chega de medo racista, muçulmanos são bem vindos aqui’, gritavam alguns manifestantes.

Mas também teve muita gente contra: ‘Nunca vamos esquecer’, repetiam os opositores. Uma das maiores críticas ao projeto é Pamela Geller, autora do livro ‘Pare a islamização da América’: ‘A idéia de ter uma mesquita próxima aos locais dos ataques é uma provocação, é uma ofensa, é claramente um símbolo, os mulçumanos sempre construíram mesquitas nas terras que conquistaram. Eu acredito que a construção dessa mesquita gigante vai ser um segundo ataque à América’, afirma.”  – Jornal Nacional, em 08/09/2010.

Propositalmente, guardamos para o final uma explicação sobre a formação dos Estados Unidos como potência. A expansão americana, conhecida como Marcha para Oeste, foi marcada pelo Destino Manifesto. O curioso no Destino Manifesto é que se assemelha ao darwinismo social quanto ao objetivo, “levar a civilização”. Mas a ideologia americana ia mais além e não tinha cunho científico. Na verdade, o Destino Manifesto é o destino do homem branco, americano, puritano (calvinista). Chegamos ao ponto, os Estados Unidos estavam predestinados, por Deus, a tornarem-se uma potência, a levar civilização aos povos da América (consolidado na Doutrina do Big Stick).

Assim sendo, os americanos tem em sua essência esse sentimento de superioridade etnocêntrica e sua formação como potência está intimamente ligada à sua religião. Mesmo que inconscientemente, isso já é um pré-fator que leva a discriminação cultural – religiosa.

GRUPO 06 – Números: 03, 05, 10, 14, 18 e 31

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